DA ROBÓTICA Á CIÊNCIA COGNITIVA
Acabo de ver um programa na televisão, que só veio agravar as preocupações que de há muito tenho, sobre a futura evolução da humanidade na vertente do seu primeiro e principal direito, que é o direito ao trabalho.
Nele se confirmou á evidência, os perigos que se adivinham para os trabalhadores, na sua dependência dos postos de trabalho, em consequência do desenvolvimento que no campo científico tem tido a robótica, a nano tecnologia, a inteligência artificial e a ciência cognitiva.
Falava-se nesse programa, da capacidade de se poder transcender o actual ser humano, devido aos enormes progressos feitos na área da nano tecnologia, que aumenta ao infinito as capacidades do homem, através da ligação de chips ao seu sistema nervoso, exponenciando as suas capacidades em termos de armazenagem de dados, conhecimentos e outra lógicas.
Se também juntarmos a isto o conhecido desenvolvimento científico que a genética tem sofrido e que nesta altura já sabemos ser capaz de seleccionar indivíduos que possam ser imunes a determinadas doenças.
Está também nas suas possibilidades ser capaz de aumentar outras características distintivas, actualmente inimagináveis, mas que poderão de uma maneira já previsível, não só substituir artificialmente partes do corpo humano, como também desenvolver características biológicas específicas.
Na realidade isto constitui uma mistura explosiva para a evolução humanidade.
Ao tornar-se possível, determinadas pessoas ou grupos, seleccionarem os privilegiados que possam beneficiar dessas regalias, corre-se o risco de se estar a criar um grupo ou até mesmo uma classe dominante inatingível.
Será facilmente admissível, que num estágio desses, ao submeter todos os restantes, às normais leis da natureza, a consequente desigualdade de direitos e oportunidades, constituiria uma regressão para a humanidade, semelhante a que constituiu o negro período histórico da escravatura.
Há pouco tempo, na “Conferência sobre o poder económico, desigualdades sociais e liberdades democráticas”, levada a cabo pelo PCP no Hotel Plaza, interpelei os conferencistas, durante o período destinado às intervenções da assistência, sobre os problemas que levantava para o mercado do trabalho, as futuras relações de produção. (Vide relato neste Blogue no dia 15 de Fevereiro)
Na actual situação das relações de produção e dada a sua previsível evolução, os donos dos meios de produção têm toda a possibilidade de dispensarem “mão-de-obra” a seu belo prazer, e substituí-la por simples robots e outros automatismos mecânicos, baseados na inteligência artificial, na informática, ou em alguma das novas tecnologias.
Era minha intenção falar por exemplo, do facto de já existirem há anos robôs móveis autónomos, que aprendem e executam por imitação, que são capazes de deslocar um objecto para um qualquer lugar imitando quem (ou o quê) tinha sido feito anteriormente, através de um autêntico sistema nervoso composto por pequenos computadores.
Já se chegou em laboratório a obter uma reacção, que se pode considerar como reflexa, pela alteração do meio envolvente e há fortes possibilidades de em breve se conseguir robôs que consigam raciocinar, através de uma estrutura análoga á do cérebro, chegando-se mesmo a proporcionar a esses robôs uma consciência artificial.
Não estou a ignorar os estudos feitos e desenvolvidos pelo nosso cientista Professor António Damásio, pioneiro absoluto sobre os factores humanos da consciência, mas a limitá-los na sua extensão às questões espirituais ou de crença.
Tudo isto será terrível para os seres humanos que estejam dependentes dos vários poderes, para trabalhar e sobreviver, com um mínimo de felicidade.
Mais, é incrível, que matérias desta natureza, com tantas e dramáticas consequências para a humanidade e sobretudo para o mundo do trabalho, seja quase um “Segredo dos Deuses” e só em longínquos, raros ou especialíssimos meios, os leigos têm acesso a estas matérias, de vital importância para todos nós.
Tudo isto gostaria de ter referido, mas para não alongar a minha intervenção, limitei-a ao mínimo possível, na expectativa que na segunda parte da conferência, fossem tidas em consideração as minhas resumidas alegações.
Nenhum dos conferencistas abordou estes aspectos fundamentais das relações de trabalho e da propriedade dos meios de produção, o que para mim constituiu uma terrível frustração, pois considero, se os trabalhadores não estiverem atentos a estes factos, serão apanhados de surpresa numa situação laboral e de sobrevivência a que dificilmente poderão responder.
Eu pessoalmente estou convencido, que pelo caminho que as coisas estão a levar, só numa situação revolucionária, será possível mudar o curso dos acontecimentos.
O tempo o dirá!!!!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010

Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo.
O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.
O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.
O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.
O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros.
Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.
E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama.
Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.
O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.
O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.
O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.
O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros.
Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.
E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama.
Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Tolo Sectarismo de Alguns Que Se Arrogam de Comunistas…E O Ensinamento Revolucionário de Jesus Cristo
Não é coisa que não nos lembremos – o sectarismo da Internacional Comunista, aos tempos, poucos, antes do inicio da II Grande Guerra Mundial que a levou a considerar a Democracia “burguesa e capitalista” pior, enquanto regime que o Fascismo de Hitler e Mussolini…
Hoje esse sectarismo renasce em alguns dos que se arrogam de comunistas, como é o caso deste Juvenal camarada Lucas, (comunista ou não é um homem de Esquerda, por muito errado que esteja e está) o que os leva a considerarem divertido o vídeo onde um ministro, suíço, conservador, (diria melhor, reaccionário), ataca o direito à Igualdade de Género, assume ridiculamente risos homofóbicos, etc.
Pois foi este vídeo, que foi remontado por um fascista, ou como já o disse por uma central de comunicação fascista, para atacar os “burgueses” Sócrates e Passos Coelho, que foi entendido, por este Juvenal camarada Lucas, razão para achar que “divirta-se com o vídeo, porque está muito bem “apanhado”…
É verdade que, em consequência do desastre que foi a visão estratégica do “camarada Estaline”, quanto ao que significavam Hitler e Mussolini, Dimitrov teve, por algum tempo, a oportunidade de defender a tese das Frentes Populares, que deu origem também à tese das Democracias Populares, e, felizmente para os Cidadãos e Cidadãs do Mundo, houve na URSS o recuo suficiente para a Aliança que derrotou o Fascismo no Mundo.
Francisco Rodrigues Martins, reconhece nesta tese das Frentes Populares e das Democracias Populares a visão direitista no PCUS que Estaline, de novo “esquerdista”, no imediato pós guerra emendou, eliminando mais uns tantos comunistas soviéticos e impondo a politica que conduziu às ocupações na Hungria, na Checoslováquia, na Polónia, etc e, claro à cisão Sino Soviética dos anos 50.
É evidente que nem estranhei esta atitude deste Juvenal camarada Lucas, que me insulta em cada linha que escreve, (num estranho e não justificado ódio contra mim…), pois felizmente também Gramsci, além de Dimitrov, leitura que aconselho veementemente.
Mesmo que seja hoje socialista não escondo o meu passado anterior, maoista, e a minha formação marxista, claro que não serôdia à “Marta Hanecker”, (enfim para o nome…), mas o que não entendo é a mania que este Juvenal camarada Lucas tem em dizer que eu escrevi alguma vez que fui dirigente socialista.
Nunca o fui nem nunca me afirmei enquanto tal.
Fui e afirmei-me dirigente da UEDS, fui e afirmei-me, dirigente da UNITA e tenho bastante orgulho em tal.
Como sou, com orgulho de Esquerda, fundador de uma cooperativa de Ensino e seu director pedagógico!
Porque estes cargos resultaram de combates de Esquerda feitos, nos âmbitos, político, social, cultural e económico.
No entanto o essencial a analisar agora, está na incapacidade de alguns camaradas, de Esquerda, em reconhecer o que, na Esquerda, é essencial reconhecer – o direito à diferença e o livre arbítrio!
Recordando a Bíblia, uma das raízes intelectuais da Esquerda, ao contrario do que muitos pensam,, tomada que ela foi pelas direitas vaticanistas, tenho na memória os lindíssimos versículos sobre “quem não pecou que atire a primeira pedra”, o maior exemplo de defesa da Tolerância que conheço, ou o baptismo do eunuco, (que como todos terá tido e praticado sexo e, sendo eunuco terá sido por via de uma sexualidade ou homossexual, ou, se com Mulher, de prazer sensorial clitórica), outro radical exemplo do direito à diferença na sexualidade, que a Bíblia nos transmite.
Seria pois bom que o Juvenal camarada Lucas entendesse que há já milhares de anos que um revolucionário, Jesus Cristo, para muitos Não Deus mas Filho de Deus, nos ensinou a não nos divertirmos com a maldade e com o homofobismo.
Não sendo homossexual, este exemplo que transmito neste texto serve somente para recordar que a arrogância baseada na nossa perfeição é sinal sim de forte cedência a pretensões totalitárias.
Vivemos hoje tempos de instabilidade forte, tal qual nos anos 20 do século XX e, ainda, apesar dos esforços do “burguês e capitalista” Obama, nada garante os caminhos do futuro e os nacionalismos serôdios, como se sabe, renascem com as crises, não sendo por acaso que em sondagem recente, 52% dos portugueses achem, hoje, em face da descoberta que, ao contrário do que procura explicar o Juvenal camarada Lucas, não somos, desde a ocupação espanhola, na sede do Império português, ricos, que a opção euro foi uma má opção.
O que, claro, não sucedia, enquanto fomos beneficiados, largamente, pelos Fundos Comunitários que, ridiculamente, gerimos com os pés.
Que o Juvenal camarada Lucas brinque com o Fascismo não me espanta, lá teremos, nós “burgueses e capitalistas”, de o salvar aquando do ascenso de um qualquer neo fascismo que ele se recusa a ver nas homofóbicas palavras do ministro suíço das finanças e na fascista montagem deste ridículo e fascista vídeo.
Joffre Justino
Não é coisa que não nos lembremos – o sectarismo da Internacional Comunista, aos tempos, poucos, antes do inicio da II Grande Guerra Mundial que a levou a considerar a Democracia “burguesa e capitalista” pior, enquanto regime que o Fascismo de Hitler e Mussolini…
Hoje esse sectarismo renasce em alguns dos que se arrogam de comunistas, como é o caso deste Juvenal camarada Lucas, (comunista ou não é um homem de Esquerda, por muito errado que esteja e está) o que os leva a considerarem divertido o vídeo onde um ministro, suíço, conservador, (diria melhor, reaccionário), ataca o direito à Igualdade de Género, assume ridiculamente risos homofóbicos, etc.
Pois foi este vídeo, que foi remontado por um fascista, ou como já o disse por uma central de comunicação fascista, para atacar os “burgueses” Sócrates e Passos Coelho, que foi entendido, por este Juvenal camarada Lucas, razão para achar que “divirta-se com o vídeo, porque está muito bem “apanhado”…
É verdade que, em consequência do desastre que foi a visão estratégica do “camarada Estaline”, quanto ao que significavam Hitler e Mussolini, Dimitrov teve, por algum tempo, a oportunidade de defender a tese das Frentes Populares, que deu origem também à tese das Democracias Populares, e, felizmente para os Cidadãos e Cidadãs do Mundo, houve na URSS o recuo suficiente para a Aliança que derrotou o Fascismo no Mundo.
Francisco Rodrigues Martins, reconhece nesta tese das Frentes Populares e das Democracias Populares a visão direitista no PCUS que Estaline, de novo “esquerdista”, no imediato pós guerra emendou, eliminando mais uns tantos comunistas soviéticos e impondo a politica que conduziu às ocupações na Hungria, na Checoslováquia, na Polónia, etc e, claro à cisão Sino Soviética dos anos 50.
É evidente que nem estranhei esta atitude deste Juvenal camarada Lucas, que me insulta em cada linha que escreve, (num estranho e não justificado ódio contra mim…), pois felizmente também Gramsci, além de Dimitrov, leitura que aconselho veementemente.
Mesmo que seja hoje socialista não escondo o meu passado anterior, maoista, e a minha formação marxista, claro que não serôdia à “Marta Hanecker”, (enfim para o nome…), mas o que não entendo é a mania que este Juvenal camarada Lucas tem em dizer que eu escrevi alguma vez que fui dirigente socialista.
Nunca o fui nem nunca me afirmei enquanto tal.
Fui e afirmei-me dirigente da UEDS, fui e afirmei-me, dirigente da UNITA e tenho bastante orgulho em tal.
Como sou, com orgulho de Esquerda, fundador de uma cooperativa de Ensino e seu director pedagógico!
Porque estes cargos resultaram de combates de Esquerda feitos, nos âmbitos, político, social, cultural e económico.
No entanto o essencial a analisar agora, está na incapacidade de alguns camaradas, de Esquerda, em reconhecer o que, na Esquerda, é essencial reconhecer – o direito à diferença e o livre arbítrio!
Recordando a Bíblia, uma das raízes intelectuais da Esquerda, ao contrario do que muitos pensam,, tomada que ela foi pelas direitas vaticanistas, tenho na memória os lindíssimos versículos sobre “quem não pecou que atire a primeira pedra”, o maior exemplo de defesa da Tolerância que conheço, ou o baptismo do eunuco, (que como todos terá tido e praticado sexo e, sendo eunuco terá sido por via de uma sexualidade ou homossexual, ou, se com Mulher, de prazer sensorial clitórica), outro radical exemplo do direito à diferença na sexualidade, que a Bíblia nos transmite.
Seria pois bom que o Juvenal camarada Lucas entendesse que há já milhares de anos que um revolucionário, Jesus Cristo, para muitos Não Deus mas Filho de Deus, nos ensinou a não nos divertirmos com a maldade e com o homofobismo.
Não sendo homossexual, este exemplo que transmito neste texto serve somente para recordar que a arrogância baseada na nossa perfeição é sinal sim de forte cedência a pretensões totalitárias.
Vivemos hoje tempos de instabilidade forte, tal qual nos anos 20 do século XX e, ainda, apesar dos esforços do “burguês e capitalista” Obama, nada garante os caminhos do futuro e os nacionalismos serôdios, como se sabe, renascem com as crises, não sendo por acaso que em sondagem recente, 52% dos portugueses achem, hoje, em face da descoberta que, ao contrário do que procura explicar o Juvenal camarada Lucas, não somos, desde a ocupação espanhola, na sede do Império português, ricos, que a opção euro foi uma má opção.
O que, claro, não sucedia, enquanto fomos beneficiados, largamente, pelos Fundos Comunitários que, ridiculamente, gerimos com os pés.
Que o Juvenal camarada Lucas brinque com o Fascismo não me espanta, lá teremos, nós “burgueses e capitalistas”, de o salvar aquando do ascenso de um qualquer neo fascismo que ele se recusa a ver nas homofóbicas palavras do ministro suíço das finanças e na fascista montagem deste ridículo e fascista vídeo.
Joffre Justino
terça-feira, 28 de setembro de 2010
De Novo O Fascismo Atacando, Clandestinamente, Como Sempre Faz Na Sua Cobardia Habitual(Em Volta de Uma Mentira/Video Forjado!)
Tá excelente !
Melhor radiografia
do país não parece
ser possível.
Ficamos conhecidos
internacionalmente pelas
piores razões ...
Para além de sermo
s motivo de chacota,
Sócrates e demais bicharada
ainda dizem que Portugal
deu um salto civilizacional ...
Ao que chegamos !
A "Padeira de Aljubarrota"
faz muita falta ...
(in um dos emails recebidos)
Liguei para uma pessoa amiga, tradutora de alemão e esta pessoa ligou para uma segunda pessoa, para confirmar tudo e eis o resultado - é falso que o ministro suíço se esteja a referir a Portugal, ao primeiro ministro de Portugal, José Socrates, e ao leader da Oposição portuguesa, Passos Coelho.
O ministro das Finanças suíço trata, na sua intervenção, de um assunto interno, nunca referindo Portugal, nem sequer insinuando qualquer referencia a Portugal.
Trata-se, no vídeo abaixo, que anda a ser distribuído por gentes tanto de Esquerda como de Direita, (recebi-o por 4 pessoas diferentes, de leques políticos diferentes), pois, de uma montagem, por via da colocação de um texto por cima de um discurso, dito em língua de conhecimento pouco usual e, ainda por cima, com um sotaque próprio – o suíço!
Não duvido que este email com este vídeo é distribuído pela mesma “central de comunicação” que, na internet, ataca também Manuel Alegre de “desertor”, (o que o próprio já provou que não é), de comunista, (que o passado de Manuel Alegre desmente), etc.
Infelizmente, alguma Esquerda, (até entre socialistas), como alguma Direita, democrática, num desvario anti Sócrates, embarca em todo o tipo de campanhas, porque no fundo reconhece que nesta crise, mundial, um pequeno país como Portugal pouco pode fazer, para a superar.
E, temendo o futuro, se agarra a tudo o que pareça permitir andar à tona, na crise…
Claro que o vídeo abaixo é também um caso de policia.
Na verdade, ofende o primeiro ministro de um país, o português e, a par, o leader do principal partido da oposição, ambos cidadãos eleitos democraticamente para os cargos que ocupam, bem ao contrário dos salazarentos António de Oliveira Salazar, Américo Tomás e Marcelo Caetano, os verdadeiros leaderes desta “central de comunicação”.
Curiosamente, sou eu, que me afirmo luso angolano, que, ao sentir-me estupefacto e mesmo ofendido, com tal grau de insulto, me dou ao trabalho de procurar perceber o que diz realmente o referido ministro das Finanças e acabo por perceber a mentirola que é este vídeo!
Reparem na citação acima, “melhor radiografia do país…”, “Socrates e demais bicharada”, etc. Ela mostra bem o nível nada democrático de quem põe no ar esta ridícula e insultuosa montagem.
Reduzida a pó a campanha tipo FreePort, que deu direito a meses de insultos na comunicação social, esta gentalha fascista, manipula o cidadão normal e põe-no a divulgar uma montagem fascizante, uma mentira pegada, com um único objectivo – o de pôr a prazo em causa a Democracia em Portugal.
Temos um país que se encontra dividido.
Entre,
· os que se sentem feridos nos seus “direitos adquiridos”, por isso, barafustam contra tudo e todos.
· os que estando, ao que se acham, há demasiado tempo na oposição, tudo fazem para regressar à esfera do Poder
· os que estando na oposição e sabendo-se minoritários, por incompetência uns e por opção outros, tudo fazem para pôr em causa o status existente
· os que se encontram em situação catastrófica por imposição das consequências da crise
E os,
· que procuram minorar a situação catastrófica em evidente estado de desvantagem, pois os fundos comunitários estão em fase terminal, mas o sentimento de “sermos ricos” se mantém
E, além de dividido, o país vive, entre estes divididos, um , para não dizer vários,. combate surdos.
Não tem Portugal a violência social que vimos acontecer na Grécia, mas tem Portugal quem gostaria que a mesma violência social acontecesse.
Não por quererem “uma revolução”, mas porque desejam ainda que, à anos 20 do século 20, surjam os “heróicos” e populistas leaderes, à Mussolini, que “ponham ordem” neste, para eles, “caos”.
Este combate surdo, não visível, não explicito na comunicação social, não gerando portanto heróis, novos leaderes, com novas oportunidades de novos estatutos sociais, é, na verdade, para alguns, como eu, o combate democrático dos dias de hoje.
Mas é, claro, um combate difícil de ser entendido.
Porque é fácil dizer mal, e negar a realidade, a simples e dura realidade – a de que andou Portugal a ser enganado quando se disse que seriamos, pela simples razão de estarmos na União Europeia, ricos e com direito ao Estado Social de todos os outros também da EU, sem que fosse necessário uma Estratégia e o eu cumprimento.
Mas não, nem somos ricos, nem, e tal é que é o pior, temos quem, no segmento empresarial, envergonhe os que do mesmo se sentem ainda com coragem para pensar que a economia se desenvolve reduzindo a despesa publica e adiando o compromisso de concertação social de colocar o Salário Mínimo Nacional nos 500 euros já neste 2011.
Enfim, por duas vias, reduzir o grau de consumo em Portugal.
Daí que a economia, sem empresários dinâmicos que entendam a necessidade de, por eles, sustentar – se uma dinâmica de crescimento, pelo aumento, ou sustentação, do consumo, para ter a retoma que todos desejaríamos, só possa crescer/sustentar-se com um reforço do papel do Estado, no investimento público, mínimo que seja, o que impõe a existência de mais receitas para o Estado, portanto de mais Impostos, que, para serem eficazes, exigem um pouco mais que taxar os ricos.
As medidas eficazes de redução das despesas implicam todas elas redução no Consumo, pelo que nem se entende como um empresário, que vive do que se consome, se reconheça em teses tão absurdas.
A não ser por razões estupidamente ideológicas.
O tempo das vacas gordas findou em Portugal e a promessa de melhores mundos por via dos fundos comunitários mostrou ser uma promessa vã.
Por má gestão, por má utilização dos mesmos, por se mostrar em timing insuficiente, ou por ser um errado caminho para o progresso, a verdade é que nos deparamos com uma promessa vã que, por isso, só poderia resultar mal.
Como está a resultar.
Alguns dizem, arregacemos as mangas e vamos a isso.
Outros preferem dizer, faz tu.
Os fascistas preferem assumir – está tudo podre regressemos ao passado…
Há que escolher.
E, para já, escolher é denunciar estas montagens propagandísticas!
Joffre Justino
NOTA:
Os destaque e reduções do texto, são uma tentativa de reproduzir fielmente o grafismo do texto.
Juvenal Lucas
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Preparar a III Guerra Mundial
Objectivo Irão
Michel Chossudovsky*
24.Ago.10 :: Colaboradores
Neste artigo Michel Chossudovsky alerta para o perigo de um ataque iminente ao Irão pelos EUA e pelo estado neofascista de Israel. A concentração de poderosas forças aeronavais no Golfo seria o prólogo de bombardeamentos devastadores de objectivos estratégicos, de acordo com planos há muito elaborados. Especialistas do Pentágono têm afirmado, porém, que a utilização de armas convencionais no bombardeamento das instalações nucleares subterrâneas de Natanz seria ineficaz pelo que sugerem o recurso a armas atómicas tácticas. Os próprios dirigentes iranianos duvidam que Obama assuma a responsabilidade de repetir Hiroshima, desencadeando uma tragédia que provocaria a condenação dos EUA pela Humanidade.
A humanidade está numa encruzilhada perigosa. Os preparativos de guerra para atacar o Irão estão em «avançado estado de preparação». Sistemas de alta tecnologia, incluindo armas nucleares, estão totalmente preparados.
Esta aventura militar tem estado na mesa de planeamento do Pentágono desde meados da década 1990. Primeiro o Iraque, depois o Irão, de acordo com documentos desclassificados de 1995 do Comando Central dos EUA.
A escalada faz parte da agenda militar. Além do Irão – é o próximo objectivo juntamente com a Síria e o Líbano – este desenvolvimento estratégico militar também ameaça a Coreia do Norte, a China e a Rússia.
Desde 2005, os EUA e os seus aliados, incluindo os interlocutores dos Estados Unidos na NATO e Israel, estão envolvidos num amplo desenvolvimento e armazenamento dos sistemas de armas avançadas.
Os sistemas de defesa aérea dos EUA, dos países membros da NATO e Israel estão totalmente integrados.
É um trabalho coordenado pelo Pentágono, a NATO e a Força de Defesa de Israel (FID), com a activa colaboração de vários países da NATO e outros não integrados nesta estrutura, incluindo os Estados árabes (os membros da NATO do Diálogo do Mediterrâneo e a Iniciativa de Cooperação de Istambul), Arábia Saudita, Japão, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Singapura e Austrália, entre outros. Fazem parte da NATO 28 Estados; outros 21 países são membros do Conselho da Aliança Euro-Atlântica (EAPC); o Diálogo Mediterrâneo e a Iniciativa de Cooperação de Istambul é formada por 10 países árabes e Israel.
O papel do Egipto, dos Estados do Golfo e da Arábia Saudita dentro da aliança militar ampliada é de particular relevância: o Egipto controla o trânsito dos navios de guerra e petroleiros no Canal do Suez; a Arábia Saudita e os Estados do Golfo ocupam a costa ocidental sul do Golfo Pérsico, o Estreito de Ormuz e o Golfo de Oman.
No princípio de Junho, «o Egipto informou que permitiu a passagem pelo canal do Suez de onze barcos dos EUA e de Israel, num aparentemente aviso… ao Irão. Em 12 de Junho, alguns meios de comunicação regionais informaram que os sauditas tinham dado autorização a Israel para sobrevoar o seu espaço aéreo» (Mirak Weissbach Muriel, Israel’s Insane War on Iran Must Be Prevented, Global Research, 31 de Julho de 2010). Na doutrina militar nascida do 11 de Setembro, o desenvolvimento massivo de armamento militar definiu-se como parte integrante da chamada «Guerra Global contra o Terrorismo», dirigido contra organizações terroristas «não estatais» como a Al-Qaeda e os chamados «Estados patrocinadores do terrorismo, como o Irão, a Síria, o Libano e o Sudão.
A criação de novas bases militares dos EUA e o armazenamento dos sistemas de armas avançadas, incluindo as armas nucleares tácticas, etc. fazem parte da preventiva «doutrina militar defensiva» sob o guarda-chuva da «Guerra Global contra o Terrorismo».
GUERRA E CRISE ECONÓMICA
As consequências de um ataque de um ataque intenso dos Estados Unidos, da NATO e Israel contra o Irão são de longo alcance.
A guerra e a crise económica estão intimamente relacionadas, A economia de guerra é financiada por Wall Street, que surge como credor da administração dos EUA.
Os produtores de armas são os destinatários de milhares de milhões de dólares do Departamento de Defesa dos EUA, como forma de pagamento dos contratos de aquisição de sistemas de armas avançadas.
Por sua vez, «a batalha do petróleo» no Médio Oriente serve directamente os interesses das petrolíferas gigantes anglo-estadunidenses. Os EUA e os seus aliados estão «a tocar os tambores da guerra» num momento de uma depressão económica mundial, para não falar da catástrofe ambiental, mais grave da história mundial. Numa amarga jogada, um dos grandes jogadores (BP) do tabuleiro de xadrez geopolítico da Ásia Central no Médio Oriente, a antigamente conhecida como Anglo-Persian Oil, foi a instigadora da catástrofe ecológica no Golfo do México.
MEIOS DE DESINFORMAÇÃO
A opinião pública, influenciada pelo bombardeamento dos meios de comunicação social, apoia tacitamente, indiferente ou ignorando os possíveis impactes do que se mantém como um ad hoc «punitivo», uma operação dirigida contra as instalações nucleares do Irão em vez de uma guerra total.
Os preparativos para a guerra incluem o desenvolvimento do fabrico de armas nucleares nos EUA e Israel.
Neste contexto, as consequências devastadoras de uma guerra nuclear trivializam-se ou, pura e simplesmente não se mencionam.
A crise «real» que ameaça a humanidade é o «aquecimento global» segundo os media e o Governo, não a guerra.
A guerra contra o Irão apresenta-se à opinião pública como um tema entre vários outros. Não se apresenta como uma ameaça à «Mãe Terra», como o caso do aquecimento global. Não é notícia de primeira página. O facto de um ataque contra o Irão poder levar a uma potencial escalada e desencadear uma «guerra global» não é motivo de preocupação.
CULTO DA MORTE E DA DESTRUIÇÃO
A máquina global de matar também é sustentada pelo culto da morte e da destruição que inunda os filmes de Hollywood, para não referir as guerras em prime time e as séries de televisão sobre delinquência.
Este culto da matança é apoiado pela CIA e pelo Pentágono, que também apoiou (financiou) produções de Hollywood como instrumentos de propaganda da guerra.
O ex-agente da CIA Bob baer disse: «Há uma simbiose entre a CIA e Hollywood» e revelou que o ex-director da CIA George Tenet, se encontra actualmente em Hollywood, a falar com os estúdios. (Mathew Alford and Robbie Graham, Lights, Camera… Covert Action: The Deep Politics of Hollywood, Global Research, 31 de Janeiro de 2009). A máquina de matar desenvolve-se a nível global no quadro da estrutura de comando de combate unificado. E, habitualmente, mantém-se nas instituições do governo, media corporativos e mandarins e intelectuais às ordens da Nova Ordem Mundial, desde os think thanks de Washington e os institutos de investigação de estudos estratégicos, como instrumentos indiscutível da paz e da prosperidade mundiais. A cultura da morte e da violência gravou-se na consciência humana.
A guerra é largamente aceite como parte de um processo social: a Pátria tem que ser «defendida» e protegida.
A «violência legitimada» e as execuções extrajudiciais contra os «terroristas» mantêm-se nas democracias ocidentais, como instrumentos necessários de segurança nacional.
Uma «guerra humanitária» é sustentada pela chamada comunidade internacional. Não é condenada como um acto criminoso. Os seus principais arquitectos são recompensados pelas suas contribuições para a paz mundial. Quanto ao Irão, o que se está a desenvolver é a legitimação directa da guerra em nome de uma ilusória teoria de segurança mundial.
UM ATAQUE AÉREO «PREVENTIVO» CONTRA O IRÃO
LEVARIA A UMA ESCALADA
Na actualidade há três teatros de guerra separados no Médio Oriente-Ásia Central: Iraque, Afeganistão/Paquistão e Palestina.
Se o Irão for objecto de um ataque aéreo «preventivo» pelas forças aliadas, toda a região, do Mediterrâneo Oriental à fronteira ocidental da China com o Afeganistão e Paquistão, poderia rebentar o que potencialmente conduz a um cenário da Terceira Guerra Mundial.
A guerra também se estenderia ao Líbano e à Síria. É muito pouco provável que os ataques, se tivessem lugar, ficassem circunscritos às instalações nucleares do Irão, como afirmam as declarações oficiais dos EUA e da NATO. O mais provável é um ataque aéreo, tanto a infra-estruturas militares como civis, sistemas de transporte, fábricas e edifícios públicos.
O Irão, com uma estimativa de dez por cento do petróleo mundial, ocupa o terceiro lugar mundial das reservas de gás, depois da Arábia Saudita (25%) e Iraque (11%) do total mundial das reservas. Em contrapartida, os EUA têm menos de 2,8% das reservas mundiais de petróleo (Ver Eric Waddel, The Battle for Oil, Global Research, Dezembro de 2004).
É de importância vital a recente descoberta no Irão, em Soumar e Halgan, das segundas maiores reservas mundiais conhecidas que se estimam em 12,4 biliões de pés cúbicos. Atacar o Irão não só consiste em recuperar o controlo anglo-estadunidense, mas também questiona a presença e influência da China e da Rússia na região.
O ataque planificado contra o Irão faz parte de um mapa global coordenado de orientação militar. Faz parte da «longa guerra do Pentágono» uma lucrativa guerra sem fronteiras, um projecto de dominação mundial, uma sequência de operações militares.
Os planificadores militares dos EUA e da NATO previram diversos cenários de escalada militar. Estão perfeitamente conscientes das implicações geopolíticas, a saber, que a guerra poderá estender-se para além da região do Médio Oriente à Ásia Central. Os efeitos económicos sobre os mercados de petróleo, etc. também foram analisados. Enquanto o Irão, a Síria e o Líbano são os objectivos imediatos, a China, a Rússia, a Coreia do Norte, para não falar da Venezuela e Cuba, são também objecto de ameaças dos EUA.
Está em jogo a estrutura das alianças militares. Os desenvolvimentos militares da NATO-EUA-Israel, incluindo as manobras militares e exercícios realizados na Rússia e nas suas fronteiras imediatas com a China têm uma relação directa com a guerra proposta contra o Irão.
Estas ameaças veladas, incluindo o seu calendário, constituem um aviso claro aos antigos poderes da era da Guerra Fria, paar evitar que possam interferir num ataque dos EUA contra o Irão.
GUERRA MUNDIAL
O objectivo estratégico a médio prazo é chegar ao Irão e neutralizar os seus aliados, através da diplomacia da canhonheira. O objectivo militara longo prazo é dirigido directamente à China e à Rússia.
Ainda que o Irão seja o objectivo imediato, o desenvolvimento militar não se limita ao Médio Oriente e Ásia Central. Foi formulada uma agenda militar global.
O desenvolvimento das tropas da coligação e os sistemas de armas avançadas dos EUA, da NATO e dos seus parceiros estão a produzir-se em todas as principais regiões do mundo.
As recentes acções dos militares dos EUA em frente das costas da Coreia do Norte sob a forma de manobras, são parte do plano global.
Os exercícios militares, os simulacros de guerra, o desenvolvimento de armas, etc., dos EUA, da NATO e dos seus aliados que estão a ser levados a cabo simultaneamente nos principais pontos geopolíticos, são dirigidos principalmente contra a Rússia e a China,
• A península da Coreia do Norte, o Mar do Japão, o Estreito de Taiwan, o Mar Meridional da China, ameaçam a China.
• O desenvolvimento de mísseis Patriot na Polónia, o centro de alerta rápido na República Checa, ameaçam a Rússia.
• Movimentações navais na Bulgária e Roménia no Mar Negro, ameaçam a Rússia.
• Movimentações de tropas da NATO e dos EUA na Geórgia.
• Um intenso movimento naval no Golfo Pérsico, incluindo submarinos israelitas dirigidos contra o Irão.
Ao mesmo tempo, o Mediterrâneo Oriental, o Mar Negro, o Caribe, a América Central e a região Andina na América do Sul, são zonas de militarização em curso. Na América Latina e no Caribe as ameaças dirigem-se contra a Venezuela e Cuba.
“AJUDA MILITAR” DOS EUA
Por sua vez, transferências de armas em grande escala tiveram lugar sob a bandeira dos EUA como “ajuda militar” a países seleccionados, incluindo 5 mil milhões de dólares num acordo de armamento com a Índia que se destina a melhorar as capacidades da Índia perante a China (Huge U.S.-Índia Arms Deal To Contain China, Global Times, 13 de Julho de 2110).
“[A venda de armas] significará melhorar as relações entre Washington e Nova Deli e, de forma deliberada ou não, terá o efeito de conter a influência da China na região”. (Citado em Rick Rozoff, Confronting both China and Russia: U.S. Risks Military Clash With China In Yellow Sea, Global Research, 16 de Julho de 2010).
Os EUA conseguiram acordos de cooperação com alguns países do sul da Ásia Oriental, como Singapura, Vietname e Indonésia, incluindo a sua “ajuda militar” e a participação em manobras militares dirigidas pelos Estados Unidos na Pacífico (Julho-Agosto de 2010). Estes acordos são de apoio às implementações de armas apontadas à República Popular da China. (Ver Rick Rozoff, Confronting both China and Russia: U.S. Risks Military Clash With China In Yellow Sea, Global Research, 16 de Julho de 2010).
Do mesmo modo, e mais directamente relacionado com o ataque planificado contra o Irão, os EUA estão a armar os Estados do Golfo Pérsico (Bahrein, Kuwait, Qatar e os Emiratos Árabes Unidos) com o interceptor de mísseis terra-ar, Patriot Advanced Capability-3 e a Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), bem como as instalações standard de mísseis mar-3 interceptores instalados em navios de guerra da classe Aegis no Golfo Pérsico. (Ver Rozoff Rick, NATO’s Role In The Military Encirclement Of Iran, 10 de Fevereiro de 2010).
CALENDÁRIOS DE ARMAZENAMENTO MILITAR E DE IMPLEMENTAÇÃO
O que é crucial nas transferências de armas dos EUA para os parceiros e aliados é o momento real da entrega e o seu desenvolvimento. O lançamento de uma operação militar patrocinada pelos EUA, ocorreria normalmente quando estes sistemas de armas estejam instalados, depois do efectivo desenvolvimento da aplicação da capacitação do pessoal. (Por exemplo da Índia).
Do que estamos a falar é de um desenho militar mundial, cuidadosamente coordenado e controlado pelo Pentágono, com a participação das forças armadas combinadas de mais de quarenta países. Este desenvolvimento militar multinacional mundial é, no mínimo, o maior desenvolvimento de sistemas de armas avançadas da história.
Por sua vez, os EUA e os seus aliados estabeleceram novas bases militares em diferentes partes do mundo. “A superfície da Terra está estruturada como um enorme campo de batalha”. (Ver Jules Dufour, The Worldwide Network of US Military Bases, Investigación Global, 01 de Julho de 2007).
Comando Unificado da estrutura geográfica dividida em comandos de combate baseia-se numa estratégia de militarização a nível global. “Os militares dos EUA têm bases em 63 países. Há sinais de novas bases militares construídas a partir de 2001 em sete países. No total, há 255.065 militares deslocados dos EUA em todo o mundo”. (Ver Jules Dufour, The Worldwide Network of US Military Bases, Investigación Global, 01 de Julho de 2007).
CENÁRIO DA III GUERRA MUNDIAL
Este desenvolvimento militar dá-se em várias regiões ao mesmo tempo e sob coordenação dos comandos regionais dos EUA, com a participação no armazenamento dos arsenais dos EUA e dos aliados dos EUA, alguns deles seus antigos inimigos, como o Vietname e o Japão.
O contexto actual caracteriza-se por uma acumulação militar global controlada por uma superpotência mundial que utiliza os seus aliados para desencadear numerosas guerras regionais.
Diferentemente da Segunda Guerra Mundial, que também foi uma conjugação de diferentes locais de uma guerra regional, é que com a tecnologia de comunicações e sistemas de armas da década de 40, não havia possibilidades de uma estratégia em “tempo real” para a coordenação das acções militares entre as grandes regiões geográficas.
A guerra mundial baseia-se no desenvolvimento coordenado de uma única potência militar dominante, que supervisiona as acções dos seus aliados e parceiros.
Com excepção de Hiroshima e Nagasaki, a Segunda Guerra Mundial caracterizou-se pelo uso de armas convencionais. Agora a planificação de uma guerra mundial baseia-se na militarização do espaço extra-terrestre.
Se uma guerra contra o Irão tiver lugar, não será só o uso de armas nucleares, mas toda a gama de novos sistemas de armas avançadas, inclusive armas electrométricas e técnicas de alteração ambiental (ENMOD) que se utilizarão.
O CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS
O Conselho de Segurança aprovou no princípio de Junho uma quarta ronda de sanções de amplo alcance contra a República Islâmica do Irão que incluem o embargo de armas e “controlos financeiros mais apertados”.
Numa amarga ironia, esta resolução foi aprovada dias depois da negativa, pura e dura, do Conselho de Segurança das Nações Unidas de adoptar uma moção de condenação de Israel pelo seu ataque à Flotilha pela Liberdade de Gaza em águas internacionais.
Tanto a China como a Rússia, pressionadas pelos Estados Unidos, apoiaram on regime de sanções do CSNU, em prejuízo próprio. A sua decisão no Conselho de Segurança contribui para debilitar a sua própria aliança militar, a Organização de Cooperação de Shangai (OCS), em que o Irão tem o estatuto de observador. A resolução do Conselho de Segurança congela os próprios acordos de cooperação militar e económica entre a China e a Rússia com o Irão. Isto tem graves repercussões no sistema de defesa aérea do Irão, que em parte depende da tecnologia e experiência da Rússia.
A Resolução do Conselho de Segurança, de facto, dá “luz verde” para desencadear uma guerra preventiva contra o Irão.
A INQUISIÇÃO ESTADUNIDENSE: A CONSTRUÇÃODE UM CONSENSO POLÍTICO PARA A GUERRA
Em coro, os media ocidentais qualificaram o Irão como uma ameaça á segurança mundial devido a um suposto (inexistente) programa de armas nucleares. Fazendo eco das declarações oficiais, os meios de comunicação estão agora a exigir a bombardeamentos punitivos dirigidos contra o Irão a fim de salvaguardar Israel.
Os media tocam os tambores da guerra. O objectivo é inculcar na consciência interna das pessoas, através da repetição até à saciedade da publicação de relatórios com a ideia de que a ameaça iraniana é real e que a república islâmica deve ser “expulsa”.
O processo de criação de consenso para a guerra é semelhante à Inquisição espanhola. Procuram a submissão à ideia que a guerra é uma tarefa humanitária.
A verdadeira ameaça à segurança global vem da aliança Estados Unidos-NATO-Israel, no entanto, a realidade num ambiente inquisitorial é ao contrário: os belicistas estão comprometidos com a paz, as vítimas da guerra são apresentadas como os protagonistas da guerra.
Se em 2006 quase dois terços dos estadunidenses se opunham a uma acção militar contra o Irão, segundo uma sondagem recente da Reuter-Zogby, agora uma sondagem indica que 56% dos estadunidenses são a favor de uma acção militar da NATO contra o Irão.
A criação de um consenso político que se baseia numa mentira não pode, no entanto, confiar unicamente nos que são a fonte da mentira.
Os movimentos contra a guerra nos EUA, que em parte já foram infiltrados, assumiram uma posição frouxa em relação ao Irão. O movimento contra a guerra está dividido. A ênfase põe-se nas guerras que já estão a ser feitas (Afeganistão e Iraque) em vez de se oporem com força a guerras em preparação e que se encontram actualmente no estirador do Pentágono.
Desde a posse da administração Obama que o movimento contra a guerra perdeu parte do seu ímpeto.
Por outro lado, os que se opõem activamente contra as guerras do Afeganistão e do Iraque não se opõem necessariamente a “bombardeamentos punitivos” ao Irão nem estes atentados são qualificados como um acto da guerra que poderá ser o prelúdio da Terceira Guerra Mundial.
A escalada de protestos contra a guerra ao Irão tem sido mínima em comparação coma as manifestações massivas que precederam os bombardeamentos de 2003 e a invasão do Iraque.
Diplomaticamente, a operação Irão não teve a oposição da China e da Rússia, mas conta com o apoio dos governos dos Estados árabes de primeira linha que estão integrados no diálogo NATO-Mediterrâneo e conta também com o apoio tácito da opinião pública ocidental.
Fazemos um apelo às pessoas de todos os países, na América, na Europa Ocidental, em Israel, na Turquia e em todo o mundo para que se levantem contra este projecto militar, contra os governos que apoiam a acção militar contra o Irão, contra os meios de comunicação que servem para camuflar as devastadoras consequências de uma guerra contra o Irão.
ESTA GUERRA É UMA LOUCURA
A III Guerra Mundial é terminal. Albert Einstein compreendia os perigos da guerra nuclear e a extinção da vida na Terra, que já começou com a contaminação radioactiva resultante da utilização de urânio empobrecido. “Não sei com que armas se lutará na III Guerra Mundial, mas na IV Guerra Mundial lutar-se-á com paus e pedras”.
Os meios de comunicação, os intelectuais, os cientistas e os políticos, em coro, ofuscam a verdade não contada, a saber, que a guerra que utiliza ogivas nucleares destrói a humanidade, e que este complexo processo de destruição gradual já começou.
QUANDO A MENTIRA SE CONVERTE EM VERDADE JÁ NÃO HÁ VOLTA ATRÁS
Quando a guerra é apresentada como uma tarefa humanitária, a justiça e todo o sistema jurídico internacional estão de pernas para o ar: o pacifismo e o movimento contra a guerra são criminalizados. Opor-se à guerra converte-se num acto criminoso.
A mentira deve ser exposta como aquilo que é e faz.
Aprova a matança indiscriminada de homens, mulheres e crianças.
Destróis famílias e pessoas. Destrói o compromisso das pessoas com os seus semelhantes.
Impede as pessoas de expressarem a sua solidariedade com os que sofrem. Defende a guerra e o estado policial como a única via.
Destrói o internacionalismo.
Romper com a mentira significa romper com um projecto criminosos de destruição global, onde a procura do lucro é a sua força primordial.
Este lucro incentiva a agenda militar, destrói valores humanos e transforma as pessoas em zombis inconscientes.
Vamos inverter a maré.
Desafio aos criminosos de guerra em altos cargos e nas poderosas corporações e grupos de pressão que os apoiam.
Este beneficio impulsando la agenda militar destruye los valores humanos y transforma a la gente en zombis inconscientes.
Fim da inquisição estadunidense.
Fim da cruzada militar Estados Unidos-NATO-Israel.
Encerramento das fábricas de armas e das bases militares.
Retirada das tropas
Os membros das Forças Armadas devem desobedecer às ordens e recusarem-se a participar numa guerra criminosa.
* Michel Chossudowsky, amigo e colaborador de odiario.info, é Professor Emérito da Universidade de Ottawa, Canadá.
Objectivo Irão
Michel Chossudovsky*
24.Ago.10 :: Colaboradores
Neste artigo Michel Chossudovsky alerta para o perigo de um ataque iminente ao Irão pelos EUA e pelo estado neofascista de Israel. A concentração de poderosas forças aeronavais no Golfo seria o prólogo de bombardeamentos devastadores de objectivos estratégicos, de acordo com planos há muito elaborados. Especialistas do Pentágono têm afirmado, porém, que a utilização de armas convencionais no bombardeamento das instalações nucleares subterrâneas de Natanz seria ineficaz pelo que sugerem o recurso a armas atómicas tácticas. Os próprios dirigentes iranianos duvidam que Obama assuma a responsabilidade de repetir Hiroshima, desencadeando uma tragédia que provocaria a condenação dos EUA pela Humanidade.
A humanidade está numa encruzilhada perigosa. Os preparativos de guerra para atacar o Irão estão em «avançado estado de preparação». Sistemas de alta tecnologia, incluindo armas nucleares, estão totalmente preparados.
Esta aventura militar tem estado na mesa de planeamento do Pentágono desde meados da década 1990. Primeiro o Iraque, depois o Irão, de acordo com documentos desclassificados de 1995 do Comando Central dos EUA.
A escalada faz parte da agenda militar. Além do Irão – é o próximo objectivo juntamente com a Síria e o Líbano – este desenvolvimento estratégico militar também ameaça a Coreia do Norte, a China e a Rússia.
Desde 2005, os EUA e os seus aliados, incluindo os interlocutores dos Estados Unidos na NATO e Israel, estão envolvidos num amplo desenvolvimento e armazenamento dos sistemas de armas avançadas.
Os sistemas de defesa aérea dos EUA, dos países membros da NATO e Israel estão totalmente integrados.
É um trabalho coordenado pelo Pentágono, a NATO e a Força de Defesa de Israel (FID), com a activa colaboração de vários países da NATO e outros não integrados nesta estrutura, incluindo os Estados árabes (os membros da NATO do Diálogo do Mediterrâneo e a Iniciativa de Cooperação de Istambul), Arábia Saudita, Japão, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Singapura e Austrália, entre outros. Fazem parte da NATO 28 Estados; outros 21 países são membros do Conselho da Aliança Euro-Atlântica (EAPC); o Diálogo Mediterrâneo e a Iniciativa de Cooperação de Istambul é formada por 10 países árabes e Israel.
O papel do Egipto, dos Estados do Golfo e da Arábia Saudita dentro da aliança militar ampliada é de particular relevância: o Egipto controla o trânsito dos navios de guerra e petroleiros no Canal do Suez; a Arábia Saudita e os Estados do Golfo ocupam a costa ocidental sul do Golfo Pérsico, o Estreito de Ormuz e o Golfo de Oman.
No princípio de Junho, «o Egipto informou que permitiu a passagem pelo canal do Suez de onze barcos dos EUA e de Israel, num aparentemente aviso… ao Irão. Em 12 de Junho, alguns meios de comunicação regionais informaram que os sauditas tinham dado autorização a Israel para sobrevoar o seu espaço aéreo» (Mirak Weissbach Muriel, Israel’s Insane War on Iran Must Be Prevented, Global Research, 31 de Julho de 2010). Na doutrina militar nascida do 11 de Setembro, o desenvolvimento massivo de armamento militar definiu-se como parte integrante da chamada «Guerra Global contra o Terrorismo», dirigido contra organizações terroristas «não estatais» como a Al-Qaeda e os chamados «Estados patrocinadores do terrorismo, como o Irão, a Síria, o Libano e o Sudão.
A criação de novas bases militares dos EUA e o armazenamento dos sistemas de armas avançadas, incluindo as armas nucleares tácticas, etc. fazem parte da preventiva «doutrina militar defensiva» sob o guarda-chuva da «Guerra Global contra o Terrorismo».
GUERRA E CRISE ECONÓMICA
As consequências de um ataque de um ataque intenso dos Estados Unidos, da NATO e Israel contra o Irão são de longo alcance.
A guerra e a crise económica estão intimamente relacionadas, A economia de guerra é financiada por Wall Street, que surge como credor da administração dos EUA.
Os produtores de armas são os destinatários de milhares de milhões de dólares do Departamento de Defesa dos EUA, como forma de pagamento dos contratos de aquisição de sistemas de armas avançadas.
Por sua vez, «a batalha do petróleo» no Médio Oriente serve directamente os interesses das petrolíferas gigantes anglo-estadunidenses. Os EUA e os seus aliados estão «a tocar os tambores da guerra» num momento de uma depressão económica mundial, para não falar da catástrofe ambiental, mais grave da história mundial. Numa amarga jogada, um dos grandes jogadores (BP) do tabuleiro de xadrez geopolítico da Ásia Central no Médio Oriente, a antigamente conhecida como Anglo-Persian Oil, foi a instigadora da catástrofe ecológica no Golfo do México.
MEIOS DE DESINFORMAÇÃO
A opinião pública, influenciada pelo bombardeamento dos meios de comunicação social, apoia tacitamente, indiferente ou ignorando os possíveis impactes do que se mantém como um ad hoc «punitivo», uma operação dirigida contra as instalações nucleares do Irão em vez de uma guerra total.
Os preparativos para a guerra incluem o desenvolvimento do fabrico de armas nucleares nos EUA e Israel.
Neste contexto, as consequências devastadoras de uma guerra nuclear trivializam-se ou, pura e simplesmente não se mencionam.
A crise «real» que ameaça a humanidade é o «aquecimento global» segundo os media e o Governo, não a guerra.
A guerra contra o Irão apresenta-se à opinião pública como um tema entre vários outros. Não se apresenta como uma ameaça à «Mãe Terra», como o caso do aquecimento global. Não é notícia de primeira página. O facto de um ataque contra o Irão poder levar a uma potencial escalada e desencadear uma «guerra global» não é motivo de preocupação.
CULTO DA MORTE E DA DESTRUIÇÃO
A máquina global de matar também é sustentada pelo culto da morte e da destruição que inunda os filmes de Hollywood, para não referir as guerras em prime time e as séries de televisão sobre delinquência.
Este culto da matança é apoiado pela CIA e pelo Pentágono, que também apoiou (financiou) produções de Hollywood como instrumentos de propaganda da guerra.
O ex-agente da CIA Bob baer disse: «Há uma simbiose entre a CIA e Hollywood» e revelou que o ex-director da CIA George Tenet, se encontra actualmente em Hollywood, a falar com os estúdios. (Mathew Alford and Robbie Graham, Lights, Camera… Covert Action: The Deep Politics of Hollywood, Global Research, 31 de Janeiro de 2009). A máquina de matar desenvolve-se a nível global no quadro da estrutura de comando de combate unificado. E, habitualmente, mantém-se nas instituições do governo, media corporativos e mandarins e intelectuais às ordens da Nova Ordem Mundial, desde os think thanks de Washington e os institutos de investigação de estudos estratégicos, como instrumentos indiscutível da paz e da prosperidade mundiais. A cultura da morte e da violência gravou-se na consciência humana.
A guerra é largamente aceite como parte de um processo social: a Pátria tem que ser «defendida» e protegida.
A «violência legitimada» e as execuções extrajudiciais contra os «terroristas» mantêm-se nas democracias ocidentais, como instrumentos necessários de segurança nacional.
Uma «guerra humanitária» é sustentada pela chamada comunidade internacional. Não é condenada como um acto criminoso. Os seus principais arquitectos são recompensados pelas suas contribuições para a paz mundial. Quanto ao Irão, o que se está a desenvolver é a legitimação directa da guerra em nome de uma ilusória teoria de segurança mundial.
UM ATAQUE AÉREO «PREVENTIVO» CONTRA O IRÃO
LEVARIA A UMA ESCALADA
Na actualidade há três teatros de guerra separados no Médio Oriente-Ásia Central: Iraque, Afeganistão/Paquistão e Palestina.
Se o Irão for objecto de um ataque aéreo «preventivo» pelas forças aliadas, toda a região, do Mediterrâneo Oriental à fronteira ocidental da China com o Afeganistão e Paquistão, poderia rebentar o que potencialmente conduz a um cenário da Terceira Guerra Mundial.
A guerra também se estenderia ao Líbano e à Síria. É muito pouco provável que os ataques, se tivessem lugar, ficassem circunscritos às instalações nucleares do Irão, como afirmam as declarações oficiais dos EUA e da NATO. O mais provável é um ataque aéreo, tanto a infra-estruturas militares como civis, sistemas de transporte, fábricas e edifícios públicos.
O Irão, com uma estimativa de dez por cento do petróleo mundial, ocupa o terceiro lugar mundial das reservas de gás, depois da Arábia Saudita (25%) e Iraque (11%) do total mundial das reservas. Em contrapartida, os EUA têm menos de 2,8% das reservas mundiais de petróleo (Ver Eric Waddel, The Battle for Oil, Global Research, Dezembro de 2004).
É de importância vital a recente descoberta no Irão, em Soumar e Halgan, das segundas maiores reservas mundiais conhecidas que se estimam em 12,4 biliões de pés cúbicos. Atacar o Irão não só consiste em recuperar o controlo anglo-estadunidense, mas também questiona a presença e influência da China e da Rússia na região.
O ataque planificado contra o Irão faz parte de um mapa global coordenado de orientação militar. Faz parte da «longa guerra do Pentágono» uma lucrativa guerra sem fronteiras, um projecto de dominação mundial, uma sequência de operações militares.
Os planificadores militares dos EUA e da NATO previram diversos cenários de escalada militar. Estão perfeitamente conscientes das implicações geopolíticas, a saber, que a guerra poderá estender-se para além da região do Médio Oriente à Ásia Central. Os efeitos económicos sobre os mercados de petróleo, etc. também foram analisados. Enquanto o Irão, a Síria e o Líbano são os objectivos imediatos, a China, a Rússia, a Coreia do Norte, para não falar da Venezuela e Cuba, são também objecto de ameaças dos EUA.
Está em jogo a estrutura das alianças militares. Os desenvolvimentos militares da NATO-EUA-Israel, incluindo as manobras militares e exercícios realizados na Rússia e nas suas fronteiras imediatas com a China têm uma relação directa com a guerra proposta contra o Irão.
Estas ameaças veladas, incluindo o seu calendário, constituem um aviso claro aos antigos poderes da era da Guerra Fria, paar evitar que possam interferir num ataque dos EUA contra o Irão.
GUERRA MUNDIAL
O objectivo estratégico a médio prazo é chegar ao Irão e neutralizar os seus aliados, através da diplomacia da canhonheira. O objectivo militara longo prazo é dirigido directamente à China e à Rússia.
Ainda que o Irão seja o objectivo imediato, o desenvolvimento militar não se limita ao Médio Oriente e Ásia Central. Foi formulada uma agenda militar global.
O desenvolvimento das tropas da coligação e os sistemas de armas avançadas dos EUA, da NATO e dos seus parceiros estão a produzir-se em todas as principais regiões do mundo.
As recentes acções dos militares dos EUA em frente das costas da Coreia do Norte sob a forma de manobras, são parte do plano global.
Os exercícios militares, os simulacros de guerra, o desenvolvimento de armas, etc., dos EUA, da NATO e dos seus aliados que estão a ser levados a cabo simultaneamente nos principais pontos geopolíticos, são dirigidos principalmente contra a Rússia e a China,
• A península da Coreia do Norte, o Mar do Japão, o Estreito de Taiwan, o Mar Meridional da China, ameaçam a China.
• O desenvolvimento de mísseis Patriot na Polónia, o centro de alerta rápido na República Checa, ameaçam a Rússia.
• Movimentações navais na Bulgária e Roménia no Mar Negro, ameaçam a Rússia.
• Movimentações de tropas da NATO e dos EUA na Geórgia.
• Um intenso movimento naval no Golfo Pérsico, incluindo submarinos israelitas dirigidos contra o Irão.
Ao mesmo tempo, o Mediterrâneo Oriental, o Mar Negro, o Caribe, a América Central e a região Andina na América do Sul, são zonas de militarização em curso. Na América Latina e no Caribe as ameaças dirigem-se contra a Venezuela e Cuba.
“AJUDA MILITAR” DOS EUA
Por sua vez, transferências de armas em grande escala tiveram lugar sob a bandeira dos EUA como “ajuda militar” a países seleccionados, incluindo 5 mil milhões de dólares num acordo de armamento com a Índia que se destina a melhorar as capacidades da Índia perante a China (Huge U.S.-Índia Arms Deal To Contain China, Global Times, 13 de Julho de 2110).
“[A venda de armas] significará melhorar as relações entre Washington e Nova Deli e, de forma deliberada ou não, terá o efeito de conter a influência da China na região”. (Citado em Rick Rozoff, Confronting both China and Russia: U.S. Risks Military Clash With China In Yellow Sea, Global Research, 16 de Julho de 2010).
Os EUA conseguiram acordos de cooperação com alguns países do sul da Ásia Oriental, como Singapura, Vietname e Indonésia, incluindo a sua “ajuda militar” e a participação em manobras militares dirigidas pelos Estados Unidos na Pacífico (Julho-Agosto de 2010). Estes acordos são de apoio às implementações de armas apontadas à República Popular da China. (Ver Rick Rozoff, Confronting both China and Russia: U.S. Risks Military Clash With China In Yellow Sea, Global Research, 16 de Julho de 2010).
Do mesmo modo, e mais directamente relacionado com o ataque planificado contra o Irão, os EUA estão a armar os Estados do Golfo Pérsico (Bahrein, Kuwait, Qatar e os Emiratos Árabes Unidos) com o interceptor de mísseis terra-ar, Patriot Advanced Capability-3 e a Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), bem como as instalações standard de mísseis mar-3 interceptores instalados em navios de guerra da classe Aegis no Golfo Pérsico. (Ver Rozoff Rick, NATO’s Role In The Military Encirclement Of Iran, 10 de Fevereiro de 2010).
CALENDÁRIOS DE ARMAZENAMENTO MILITAR E DE IMPLEMENTAÇÃO
O que é crucial nas transferências de armas dos EUA para os parceiros e aliados é o momento real da entrega e o seu desenvolvimento. O lançamento de uma operação militar patrocinada pelos EUA, ocorreria normalmente quando estes sistemas de armas estejam instalados, depois do efectivo desenvolvimento da aplicação da capacitação do pessoal. (Por exemplo da Índia).
Do que estamos a falar é de um desenho militar mundial, cuidadosamente coordenado e controlado pelo Pentágono, com a participação das forças armadas combinadas de mais de quarenta países. Este desenvolvimento militar multinacional mundial é, no mínimo, o maior desenvolvimento de sistemas de armas avançadas da história.
Por sua vez, os EUA e os seus aliados estabeleceram novas bases militares em diferentes partes do mundo. “A superfície da Terra está estruturada como um enorme campo de batalha”. (Ver Jules Dufour, The Worldwide Network of US Military Bases, Investigación Global, 01 de Julho de 2007).
Comando Unificado da estrutura geográfica dividida em comandos de combate baseia-se numa estratégia de militarização a nível global. “Os militares dos EUA têm bases em 63 países. Há sinais de novas bases militares construídas a partir de 2001 em sete países. No total, há 255.065 militares deslocados dos EUA em todo o mundo”. (Ver Jules Dufour, The Worldwide Network of US Military Bases, Investigación Global, 01 de Julho de 2007).
CENÁRIO DA III GUERRA MUNDIAL
Este desenvolvimento militar dá-se em várias regiões ao mesmo tempo e sob coordenação dos comandos regionais dos EUA, com a participação no armazenamento dos arsenais dos EUA e dos aliados dos EUA, alguns deles seus antigos inimigos, como o Vietname e o Japão.
O contexto actual caracteriza-se por uma acumulação militar global controlada por uma superpotência mundial que utiliza os seus aliados para desencadear numerosas guerras regionais.
Diferentemente da Segunda Guerra Mundial, que também foi uma conjugação de diferentes locais de uma guerra regional, é que com a tecnologia de comunicações e sistemas de armas da década de 40, não havia possibilidades de uma estratégia em “tempo real” para a coordenação das acções militares entre as grandes regiões geográficas.
A guerra mundial baseia-se no desenvolvimento coordenado de uma única potência militar dominante, que supervisiona as acções dos seus aliados e parceiros.
Com excepção de Hiroshima e Nagasaki, a Segunda Guerra Mundial caracterizou-se pelo uso de armas convencionais. Agora a planificação de uma guerra mundial baseia-se na militarização do espaço extra-terrestre.
Se uma guerra contra o Irão tiver lugar, não será só o uso de armas nucleares, mas toda a gama de novos sistemas de armas avançadas, inclusive armas electrométricas e técnicas de alteração ambiental (ENMOD) que se utilizarão.
O CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS
O Conselho de Segurança aprovou no princípio de Junho uma quarta ronda de sanções de amplo alcance contra a República Islâmica do Irão que incluem o embargo de armas e “controlos financeiros mais apertados”.
Numa amarga ironia, esta resolução foi aprovada dias depois da negativa, pura e dura, do Conselho de Segurança das Nações Unidas de adoptar uma moção de condenação de Israel pelo seu ataque à Flotilha pela Liberdade de Gaza em águas internacionais.
Tanto a China como a Rússia, pressionadas pelos Estados Unidos, apoiaram on regime de sanções do CSNU, em prejuízo próprio. A sua decisão no Conselho de Segurança contribui para debilitar a sua própria aliança militar, a Organização de Cooperação de Shangai (OCS), em que o Irão tem o estatuto de observador. A resolução do Conselho de Segurança congela os próprios acordos de cooperação militar e económica entre a China e a Rússia com o Irão. Isto tem graves repercussões no sistema de defesa aérea do Irão, que em parte depende da tecnologia e experiência da Rússia.
A Resolução do Conselho de Segurança, de facto, dá “luz verde” para desencadear uma guerra preventiva contra o Irão.
A INQUISIÇÃO ESTADUNIDENSE: A CONSTRUÇÃODE UM CONSENSO POLÍTICO PARA A GUERRA
Em coro, os media ocidentais qualificaram o Irão como uma ameaça á segurança mundial devido a um suposto (inexistente) programa de armas nucleares. Fazendo eco das declarações oficiais, os meios de comunicação estão agora a exigir a bombardeamentos punitivos dirigidos contra o Irão a fim de salvaguardar Israel.
Os media tocam os tambores da guerra. O objectivo é inculcar na consciência interna das pessoas, através da repetição até à saciedade da publicação de relatórios com a ideia de que a ameaça iraniana é real e que a república islâmica deve ser “expulsa”.
O processo de criação de consenso para a guerra é semelhante à Inquisição espanhola. Procuram a submissão à ideia que a guerra é uma tarefa humanitária.
A verdadeira ameaça à segurança global vem da aliança Estados Unidos-NATO-Israel, no entanto, a realidade num ambiente inquisitorial é ao contrário: os belicistas estão comprometidos com a paz, as vítimas da guerra são apresentadas como os protagonistas da guerra.
Se em 2006 quase dois terços dos estadunidenses se opunham a uma acção militar contra o Irão, segundo uma sondagem recente da Reuter-Zogby, agora uma sondagem indica que 56% dos estadunidenses são a favor de uma acção militar da NATO contra o Irão.
A criação de um consenso político que se baseia numa mentira não pode, no entanto, confiar unicamente nos que são a fonte da mentira.
Os movimentos contra a guerra nos EUA, que em parte já foram infiltrados, assumiram uma posição frouxa em relação ao Irão. O movimento contra a guerra está dividido. A ênfase põe-se nas guerras que já estão a ser feitas (Afeganistão e Iraque) em vez de se oporem com força a guerras em preparação e que se encontram actualmente no estirador do Pentágono.
Desde a posse da administração Obama que o movimento contra a guerra perdeu parte do seu ímpeto.
Por outro lado, os que se opõem activamente contra as guerras do Afeganistão e do Iraque não se opõem necessariamente a “bombardeamentos punitivos” ao Irão nem estes atentados são qualificados como um acto da guerra que poderá ser o prelúdio da Terceira Guerra Mundial.
A escalada de protestos contra a guerra ao Irão tem sido mínima em comparação coma as manifestações massivas que precederam os bombardeamentos de 2003 e a invasão do Iraque.
Diplomaticamente, a operação Irão não teve a oposição da China e da Rússia, mas conta com o apoio dos governos dos Estados árabes de primeira linha que estão integrados no diálogo NATO-Mediterrâneo e conta também com o apoio tácito da opinião pública ocidental.
Fazemos um apelo às pessoas de todos os países, na América, na Europa Ocidental, em Israel, na Turquia e em todo o mundo para que se levantem contra este projecto militar, contra os governos que apoiam a acção militar contra o Irão, contra os meios de comunicação que servem para camuflar as devastadoras consequências de uma guerra contra o Irão.
ESTA GUERRA É UMA LOUCURA
A III Guerra Mundial é terminal. Albert Einstein compreendia os perigos da guerra nuclear e a extinção da vida na Terra, que já começou com a contaminação radioactiva resultante da utilização de urânio empobrecido. “Não sei com que armas se lutará na III Guerra Mundial, mas na IV Guerra Mundial lutar-se-á com paus e pedras”.
Os meios de comunicação, os intelectuais, os cientistas e os políticos, em coro, ofuscam a verdade não contada, a saber, que a guerra que utiliza ogivas nucleares destrói a humanidade, e que este complexo processo de destruição gradual já começou.
QUANDO A MENTIRA SE CONVERTE EM VERDADE JÁ NÃO HÁ VOLTA ATRÁS
Quando a guerra é apresentada como uma tarefa humanitária, a justiça e todo o sistema jurídico internacional estão de pernas para o ar: o pacifismo e o movimento contra a guerra são criminalizados. Opor-se à guerra converte-se num acto criminoso.
A mentira deve ser exposta como aquilo que é e faz.
Aprova a matança indiscriminada de homens, mulheres e crianças.
Destróis famílias e pessoas. Destrói o compromisso das pessoas com os seus semelhantes.
Impede as pessoas de expressarem a sua solidariedade com os que sofrem. Defende a guerra e o estado policial como a única via.
Destrói o internacionalismo.
Romper com a mentira significa romper com um projecto criminosos de destruição global, onde a procura do lucro é a sua força primordial.
Este lucro incentiva a agenda militar, destrói valores humanos e transforma as pessoas em zombis inconscientes.
Vamos inverter a maré.
Desafio aos criminosos de guerra em altos cargos e nas poderosas corporações e grupos de pressão que os apoiam.
Este beneficio impulsando la agenda militar destruye los valores humanos y transforma a la gente en zombis inconscientes.
Fim da inquisição estadunidense.
Fim da cruzada militar Estados Unidos-NATO-Israel.
Encerramento das fábricas de armas e das bases militares.
Retirada das tropas
Os membros das Forças Armadas devem desobedecer às ordens e recusarem-se a participar numa guerra criminosa.
* Michel Chossudowsky, amigo e colaborador de odiario.info, é Professor Emérito da Universidade de Ottawa, Canadá.
sábado, 14 de agosto de 2010
A mentira na História ea compreensão da crise
Miguel Urbano Rodrigues
16 de Julho de 2010
“Nunca antes a humanidade dispôs de tanta informação; mas em época alguma esteve tão desinformada. Nesta era da informação instantânea, as forças do capital estão conscientes de que a transformação da mentira em verdade é cada vez mais imprescindível à sobrevivência do capitalismo.”
O capitalismo atravessa uma crise estrutural para a qual não encontra soluções.
Para que os povos se mobilizem na luta contra o sistema que os oprime e ameaça já a própria continuidade da vida na Terra, é indispensável a compreensão do funcionamento da monstruosa engrenagem que deforma o real, impondo à humanidade uma História deformada, forjada pelo capitalismo para lhe servir os interesses.
Essa compreensão é extraordinariamente dificultada pela máquina de desinformação mediática controlada pelas grandes transnacionais. Nunca antes a humanidade dispôs de tanta informação; mas em época alguma esteve tão desinformada. Nesta era da informação instantânea, as forças do capital estão conscientes de que a transformação da mentira em verdade é cada vez mais imprescindível à sobrevivência do capitalismo.
A LÓGICA DAS CRISES
No esforço para enganar e confundir os povos, a primeira mentira é inseparável da afirmação categórica, difundida através de um bombardeamento mediático, de que nos EUA irrompera uma grave crise, definida como financeira, resultante de especulações fraudulentas no imobiliário. Obama e os sacerdotes de Wall Street reconheceram a cumplicidade da banca e das seguradoras quando surgiram falências em cadeia, mas garantiram que o tsunami financeiro seria superado através de medidas adequadas. Trataram de ocultar que se estava perante uma crise profunda do capitalismo, de âmbito mundial.
A simulação da surpresa fez parte do jogo.
O Presidente dos EUA e os senhores da finança mentiram conscientemente.
As grandes crises mundiais raramente são previstas e anunciadas com antecedência. Mas quando se produzem não surpreendem. Inserem-se na lógica da História.
Isso aconteceu, por exemplo, após a II Guerra Mundial. A Aliança que fora decisiva para a derrota do III Reich não poderia prolongar-se. Era incompatível com as ambições e o projecto de dominação do capitalismo.
A dimensão da vitória, ao eliminar a Alemanha como grande potência militar e económica, gerou uma situação potencialmente conflitiva.
A partilha dessa dramática herança foi feita, numa atmosfera de aparente cordialidade, nas Conferencias de Teerão e Yalta. Mas, quando os canhões deixaram de disparar, Washington e Londres logo se entenderam para criar tensões incompatíveis com o respeito dos compromissos assumidos.
A Guerra Fria foi uma criação dos EUA e do Reino Unido. Derrotado um inimigo, o fascismo, o imperialismo precisava de inventar outro. A tarefa não exigiu muita imaginação. Os slogans que nas duas décadas anteriores apresentavam o comunismo como ameaça letal à democracia foram rapidamente retomados.
Como os povos estavam sedentos de paz, uma gigantesca campanha de falsificação da História foi desencadeada para persuadir no Ocidente centenas de milhões de pessoas de que a União Soviética configurava um perigo para a humanidade democrática. Essa ofensiva contribuiu decisivamente para dissipar as esperanças geradas pelas Nações Unidas e o discurso humanista sobre uma paz perpétua.
A chamada Guerra Fria nasceu dessa mentira. O famoso discurso de Fulton, quando Churchill carimbou a expressão Cortina de Ferro para caracterizar a imaginária ameaça soviética, foi previamente discutido com a Casa Branca. O medo da «barbárie russa» abriu o caminho à Doutrina Truman e à NATO.
Não foi a URSS quem tomou a iniciativa de romper os acordos assinados pelos vencedores da guerra.
Cabe recordar que, somente após o afastamento dos comunistas dos governos da França e da Itália, os ministros anticomunistas deixaram de integrar governos de países do Leste europeu.
É também significativo que os historiadores norte-americanos e ingleses, com raríssimas excepções, omitam que a implantação de regimes alinhados com a União Soviética se concretizou na Europa sem recurso à força armada enquanto na Grécia – pais situado na zona de influência inglesa – o exército de ocupação britânico desencadeou uma violenta repressão quando os trabalhadores revolucionários estavam prestes a tomar o poder. Foram então abatidos milhares de comunistas gregos para garantir a sobrevivência de uma monarquia apodrecida, mas os media ocidentais ignoraram esses massacres.
O tema era incómodo.
O tão comentado plano russo de «conquista e dominação mundiais» não passa de um mito forjado em Washington e Londres para criar o alarme e o medo propícios à criação da NATO como «aliança defensiva» capaz de se opor «à subversão comunista». E a arma atómica passou a ser usada como instrumento de chantagem.
Na realidade, a URSS, a quem a guerra custara mais de 20 milhões de mortos (a maioria homens de menos de 30 anos), precisava desesperadamente de paz para se reconstruir. As hordas nazis tinham devastado as zonas mais desenvolvidas e industrializadas do país. Como poderia desejar a guerra e promover o «expansionismo comunista» uma sociedade nessas condições?
A agressividade vinha toda dos EUA que tinham sido enriquecidos por uma guerra que não atingiu o seu território e na qual as suas forças armadas sofreram perdas muito inferiores às do seu aliado britânico.
A Grã-Bretanha, cujo império principiava a desfazer-se, ligou, porém, o seu destino ao colosso americano. Os elogios ao aliado russo, antes frequentes, foram substituídos por insultos e calúnias. Aos jovens de hoje parece quase inacreditável que Churchill, o inventor da Cortina de Ferro, meses antes do final da guerra, tenha afirmado «não conheço outro governo que cumpra os seus compromissos (…) mais solidamente do que o governo soviético russo. Recuso-me absolutamente a travar aqui uma discussão sobre a boa fé russa» (Citado por Isaac Deutscher em Ironias da História, pag 184, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro 1968).
Assim falava o primeiro ministro do Reino Unido pouco antes de transformar o aliado que tanto admirava em ogre que ameaçava o mundo…
MESMA HIPOCRISIA
NUMA CRISE MUITO DIFERENTE
Desagregada a União Soviética e implantado o capitalismo na Rússia, o imperialismo sentiu a necessidade de reinventar inimigos para justificar novas guerras. E eles foram rapidamente fabricados. Surgiu assim «o eixo do mal». Pequenos países como Cuba, o Iraque e a Coreia do Norte, metamorfoseados em potências agressoras, foram apresentados como «ameaça à segurança» dos EUA e dos seus aliados. Um homem, Osama Bin Laden, foi guindado a «inimigo número um» dos EUA. O Afeganistão, onde supostamente se encontrava, foi invadido, vandalizado e ocupado. Bin Laden, aliás, não foi sequer localizado. Permanece vivo, em lugar desconhecido. Mas a sua organização, a fantasmática Al Qaeda, é responsabilizada como a fonte do terrorismo mundial.
Seguiu-se o Iraque. Durante meses, a máquina mediática dos EUA inundou o mundo com notícias sobre «as armas de extinção massiva» que Sadam Hussein teria acumulado para agredir a humanidade. O secretário de Estado Colin Powell declarou perante o Conselho de Segurança da ONU que Washington tinha provas da existência desse arsenal de terror. O britânico Tony Blair garantiu que também dispunha dessas provas.
O Iraque foi invadido, destruído, saqueado e, tal como o Afeganistão, permanece ocupado. Mas Bush e Blair acabaram por reconhecer que, afinal, as tais armas de extinção massiva não existiam.
Entretanto, o complexo militar industrial dos EUA agigantou-se. O Orçamento de Defesa do país é o maior da História.
Agora chegou a vez do Irão. O berço de uma das mais importantes civilizações criadas pela Humanidade é a mais recente ameaça à «segurança dos EUA». A Agencia Internacional de Segurança Atómica não conseguiu encontrar qualquer prova de que o país esteja a utilizar as suas instalações nucleares com o objectivo de produzir armas atómicas. Com o aval do Brasil e da Turquia, o governo de Ahmanidejah comprometeu-se a que o seu urânio seja enriquecido no exterior com fins pacíficos. Mas Washington acaba de impor, através do Conselho de Segurança da ONU, novas sanções a Teerão. Mais: o presidente dos EUA ameaçou já utilizar armas atómicas tácticas contra o país se ele não se submeter a todas as suas exigências.
Isto acontece quando Obama se viu forçado a demitir o comandante-chefe norte-americano no Afeganistão na sequência de uma entrevista na qual o general Mc Chrystal – aliás um criminoso de guerra – (v. artigo de John Catalinotto em odiario.info, 12.7.2010) criticou duramente o Presidente e esboçou um panorama desastroso da política da Casa Branca na Região.
ENTRE A FARSA E A TRAGÉDIA
Diariamente, os grandes media norte-americanos repetem que a crise foi praticamente superada nos EUA graças às medidas tomadas pela Administração Obama. É outra grande mentira. A taxa de desemprego mantém-se inalterada e a situação de dezenas de milhões de famílias é crítica. É suficiente ler os artigos sobre o tema de Prémios Nobel da Economia, aliás empenhados na salvação do capitalismo – Joseph Stiglitz e Paul Krugman, por exemplo – para se compreender que a situação, longe de melhorar, pode eventualmente agravar-se.
Não é a taxa do PIB que lhe define o rumo, porque a crise, global, é do sistema e não apenas financeira.
Os discursos do Presidente contribuem para confundir os cidadãos em vez de os esclarecer. Persistem contradições entre a Casa Branca e a finança. Mas elas resultam de os senhores de Wall Street e os chairman das grandes transnacionais considerarem insuficientes as medidas da Administração que os beneficiaram. Pretendem voltar a ter as mãos totalmente livres.
A retórica presidencial não pode esconder que a estratégia de Obama visou no fundamental salvar e não punir os responsáveis por uma crise que adquiriu rapidamente proporções mundiais.
As empresas acumulam novamente lucros fabulosos enquanto os trabalhadores apertam o cinto. A desigualdade social aumenta e os banqueiros, driblando decisões do Congresso, continuam a atribuir-se prémios principescos.
O grande capital resiste aliás, com o apoio firme do Partido Republicano, a todas as medidas de carácter social, na maioria tímidas – como a reforma do sistema de saúde – que a Administração adopta (ver artigo de John Bellamy Forster, odiario.info, 13.7.2º10).
É cada vez mais transparente que estamos perante uma crise do capitalismo, sem solução previsível, embora a esmagadora maioria da humanidade não tenho tomado consciência dessa realidade.
A tentação de ampliar a escalada militar na Ásia como saída «salvadora» é muito forte, mas no próprio Pentágono generais influentes temem as consequências de um ataque ao Irão. A invasão terrestre está excluída e o bombardeamento com armas convencionais de alvos estratégicos não produziria outro efeito que não fosse uma gigantesca vaga de anti-americanisno no mundo muçulmano.
O recurso a armas nucleares tácticas é a opção de uma minoria. Essa hipótese tem sido admitida por destacadas personalidades internacionais, mas não se me afigura que possa concretizar-se.
Não obstante a vassalagem dos governos da União Europeia e do Japão, os povos condenariam massivamente uma repetição do genocídio de Hiroshima. Seria o prólogo de uma tragédia cujo desfecho poderia ser a extinção da humanidade.
Retomo assim a afirmação do início, tema desta reflexão. A mentira na História dificulta extraordinariamente a compreensão da crise de civilização que o homem enfrenta.
Serpa, Julho de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS
........-COMUNICADO
A revisão constitucional como pretexto para a destruição dos direitos sociais
De entre todos os sectores de actividade do nosso país, a Saúde foi o único que nos colocou nos primeiros lugares mundiais quanto ao índice global de desempenho (12º lugar) na base de indicadores concretos analisados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em 36 anos de Democracia, a realização social e humanista mais marcante na nossa sociedade foi o Serviço Nacional de Saúde (SNS), constituindo um marco de desenvolvimento civilizacional.
O SNS conseguiu alterar todos os indicadores de saúde e colocar o nosso país ao nível dos países mais desenvolvidos. A título de exemplo, basta ter presente que em 1970 a mortalidade infantil era de 58,6 por mil e há 1 ano atrás era pouco superior a 4 por mil. E quanto ao indicador da mortalidade materna, o nosso país era o 8º a nível mundial quanto ao menor número de mortes, 4 por cada 100.000 nascimentos.
Em termos de custos globais, o nosso país é, a nível europeu, dos que tem menores gastos per capita e em toda a E.U. é aquele que tem menor percentagem de despesas públicas no total das despesas nacionais de saúde, ligeiramente acima de 50%.
Ora, é neste elucidativo quadro que surgiu nos últimos dias a divulgação de extractos de uma proposta de revisão constitucional da autoria da nova direcção política do PSD.
De acordo com as notícias publicadas, essa proposta pretende, entre outros aspectos, eliminar a Escola Pública, permitir os despedimentos arbitrários e liquidar o SNS.
No caso do SNS é colocada a questão de eliminar o princípio do “tendencialmente gratuito”, acrescentando que “em caso algum o acesso pode ser recusado por insuficiência de meios económicos”.
Desde logo, é imperioso sublinhar a falta de seriedade política do argumento sobre a suposta gratuitidade dos cuidados de saúde, quando todos sabemos que os serviços públicos são financiados através da carga fiscal aplicada aos cidadãos e que por esta via é desenvolvido o esforço solidário entre os vários sectores sociais em função dos seus rendimentos.
Por outro lado, como é possível fazer prova de insuficiência de meios económicos?
Esta abordagem faz-nos retornar dramaticamente à década de 1960 em que os cidadãos tinham de apresentar um atestado de indigência passado pelas Juntas de Freguesia para ficarem isentos do pagamento dos cuidados ou dos internamentos nos poucos hospitais públicos então existentes.
Em todos os países onde foram implementadas políticas de privatização e de mercantilização da Saúde, este tipo de argumentação foi utilizado e conduziu à criação de uma saúde dependente dos rendimentos de cada um.
Quando nos encontramos no meio de uma grave crise politica, social e económica devido ao desenvolvimento de políticas viradas para a mercantilização da vida humana, é inacreditável que um partido político que tem particulares responsabilidades no nosso regime democrático e que tem alternado no exercício da acção governamental tome a iniciativa de tentar impor, de forma ainda mais radical, essas mesmas políticas.
Num momento tão delicado como este, é assustador que haja quem tome como prioridade a revisão constitucional para liquidar o que ainda resta das políticas públicas e sociais.
Todos nós sabemos que existem múltiplos constrangimentos na capacidade de resposta dos serviços públicos de saúde e na acessibilidade aos cuidados.
A FNAM tem efectuado, desde sempre, muitas denúncias sobre casos concretos dessas situações e da incompetência e impunidade gestionária de muitas administrações nomeadas pelas sucessivas tutelas ministeriais.
No entanto, há que ter bem presente que o SNS tem desempenhado um papel insubstituível na garantia da coesão social da população do nosso país, resolvendo os problemas essenciais da saúde da nossa população.
Decidimos adoptar esta posição pública na defesa do SNS tendo bem presente que os direitos sociais não podem ser objecto de negócios aviltantes para os cidadãos.
As propostas apresentadas constituem a mais chocante declaração até hoje efectuada no nosso regime democrático quanto à transformação do direito à saúde num qualquer bem de consumo sujeito às leis da oferta e da procura.
Com medidas destas não estamos somente a regredir no plano civilizacional, mas a enveredar por concepções de barbárie social e política.
A vida humana e a saúde, como sinónimo do seu equilíbrio, não podem estar dependentes dos negócios e de negociantes.
22/7/2010
A Comissão Executiva da FNAM
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