sexta-feira, 22 de abril de 2011

COMUNICADO
DA COMISSÃO POLÍTICA DO PCP

DEFENDER E AFIRMAR ABRIL

POR UMA POLÍTICA PATRIÓTICA E DE ESQUERDA

1. No momento em que se assinala o 37º Aniversário do 25 de Abril de 1974, que culminou a prolongada e determinada luta do povo português, a Comissão
Política do Comité Central do PCP saúda os valorosos militares que
protagonizaram o levantamento militar e o povo português que, levantando-se em massa o transformou em Revolução. É com confiança que o PCP saúda esse acontecimento maior da história da luta libertadora do povo português, inseparável do papel e da luta dos comunistas, possível nos seus
desenvolvimentos, por essa singular marca que foi a aliança POVO-MFA. Confiança que não ignora que sobre o nosso País pesam a influência negativa decorrente da natureza do capitalismo, de 35 anos de política de direita que interrompeu e inverteu o processo revolucionário – de recuperação monopolista e latifundista – deu corpo à contra-revolução que ganhou fôlego com a integração na União Europeia e a política de abdicação nacional realizada por sucessivos governos, em desrespeito da Constituição da República Portuguesa.
Confiança que não ilude o momento particularmente grave da actual situação nacional e que enfrenta com firmeza e determinação a maior ofensiva contra os interesses do povo e do país desde os tempos do fascismo. Confiança na luta dos trabalhadores e do povo português, na capacidade e energia transformadora que uma vez mais demonstraram há 37 anos, no seu papel insubstituível na defesa da liberdade e da democracia, de uma pátria soberana, livre e independente.

2. O Povo português, após quase meio século de opressão fascista, pôs em marcha a Revolução, deu combate firme aos golpes e à sabotagem política e económica contra a jovem democracia, nacionalizou a banca e os grupos económicos, pôs fim ao capitalismo monopolista de Estado, realizou a reforma agrária entregando a terra a quem a trabalha, construiu o Poder Local democrático, conquistou direitos para os trabalhadores e para as populações, assumiu a liberdade em toda a sua plenitude. Uma Revolução inacabada, é certo, mas uma Revolução que alterou e melhorou profundamente as condições de vida do povo, pôs fim à Guerra Colonial, valorizou o papel do trabalho e dos trabalhadores, reconheceu liberdades, direitos e garantias ao povo português, foi em si mesma uma afirmação de dignidade e soberania nacional. Revolução que deixou a sua marca indelével na Constituição da República Portuguesa. Nela se consagrou o direito ao trabalho para todos, incumbindo-se o Estado de promover a execução de políticas de pleno emprego; o direito a um Salário Mínimo Nacional; o direito à segurança social que proteja os cidadãos na infância, doença, velhice ou desemprego; o direito à saúde, através de um serviço nacional de saúde universal e geral, hoje cada vez menos gratuito. Nela se inscreveu, como prioridade, promover a justiça social, operando as necessárias correcções das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento e o combate às assimetrias entre o litoral e o interior.

3. Trinta e sete anos depois, novos e velhos grupos económicos e financeiros - associados ao capital estrangeiro, muitos deles constituídos à sombra e à custa da delapidação do património do Estado, da privatização de empresas estratégicas cujos lucros deviam estar ao serviço dos trabalhadores e do povo, de colossais recursos públicos postos ao seu serviço, do agravamento da exploração de quem trabalha, do próprio desenvolvimento do país - dominam hoje, de novo, a economia, num processo de crescente subordinação do poder político ao poder económico. O país vive confrontado com uma profunda crise económica e social. Mais de
700 000 trabalhadores estão no desemprego, centenas de milhar sem protecção social, a precariedade alastra, empobrece-se a trabalhar, a emigração voltou a ser uma necessidade. Mais de 2 milhões de portugueses vivem na pobreza, o acesso a direitos essenciais, como a saúde, a habitação digna, a acção social, o ensino de qualidade, a cultura, estão, em resultado da política de direita, cada vez longe de ser uma realidade para todos. Acentuam-se as assimetrias entre o litoral e o interior. As desigualdades e as injustiças aprofundam-se ao invés de ser combatidas. À pobreza de cada vez mais portugueses contrapõem-se as fortunas de muito poucos. Os salários e as reformas dos portugueses são diminuídos. O aparelho produtivo definha e a estagnação e recessão económica marcam a última década de entrada na Moeda Única e de submissão às imposições da UE. As políticas de capitulação nacional sucedem-se pondo em causa o interesse nacional. Contrariamente às expectativas que os avanços e conquistas da Revolução criaram nas massas populares, Portugal, trinta e sete anos depois do 25 de Abril, vive sob o garrote de uma dívida externa inquietante e de uma especulação financeira que diariamente rouba os recursos nacionais. Traindo os valores e ideais de Abril, o país está confrontado com uma intervenção externa por via da União Europeia e do FMI em resultado de uma decisão ilegítima tomada no quadro das cedências do governo PS ao grande capital - com o apoio de PSD, CDS e do Presidente da República. Cedências que o povo português não pode aceitar.

4. Este é cada vez mais o tempo de defender e afirmar Abril! É tempo de respeitar, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República e não de a subverter. Respeitar a Constituição exige uma ruptura e mudança na vida política nacional que abra caminho a uma política patriótica e de esquerda, que responda aos problemas do desemprego, das injustiças, da pobreza, da dependência externa e da corrupção. Uma política de promoção e reforço do aparelho produtivo e da produção nacional. Uma política que combata a especulação financeira e recupere para as mãos do Estado empresas e sectores estratégicos nacionais. Uma política que afirme a democracia em todas as suas vertentes – política, económica, social e cultural. Num momento em que a pressão e a chantagem sobre o povo português assumem proporções gigantescas, quando uma poderosa ofensiva ideológica procura impor a aceitação de mais sacrifícios e a continuação do rumo de desastre, é preciso dizer Basta! A realização das próximas eleições legislativas emerge como uma oportunidade para que o povo português, no seguimento de grandes jornadas de luta, faça ouvir a sua voz contra a política de direita. Uma oportunidade para dar mais força à CDU, aos comunistas, aos ecologistas e a muitos outros democratas e patriotas que aí convergem. Uma força cujo projecto e intervenção política, não só está profundamente ligado aos valores de Abril, como é portador de uma fundada esperança numa vida melhor.
5- Num momento tão difícil e complexo da vida nacional, as comemorações do 37º aniversário da Revolução de Abril assumem um significado ainda maior. Em si mesmas, elas representam uma afirmação de um Portugal livre e soberano, apontam para a rejeição do rumo de desastre nacional que está em curso, apelam à participação dos trabalhadores e do povo para resistir e vencer a actual ofensiva, projectam um novo rumo para o país, de justiça, liberdade e democracia, tendo no horizonte o socialismo. Tal como o PCP propôs, teria sido possível e desejável que a dimensão institucional das comemorações do 25 de Abril não tivesse sido prejudicada pelo facto da Assembleia da República se encontrar dissolvida, designadamente através de uma forma que garantisse a dimensão plural e democrática dessas comemorações. Dimensão que a iniciativa promovida pelo Presidente da República não garante. Neste sentido, o PCP, ao mesmo tempo que se empenhará na realização de múltiplas iniciativas por todo o país, apela a um forte empenhamento e mobilização populares nas comemorações do 37º aniversário da Revolução de Abril. Um apelo dirigido aos homens e mulheres que viveram e fizeram a revolução. Um apelo às novas gerações e à juventude do nosso país a quem querem roubar o futuro. Um apelo que assume que outro rumo é possível. Que está nas mãos do povo português, com a sua opinião, a sua participação, a sua luta e o seu voto torná-lo realidade.

20.4.2011
A Comissão Política do Comité Central do PCP
Publicada por JUVENAL em 14:55

sábado, 26 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

FILME DA MICHAEL MOORE


Sicko - Trabalho de Campo




EPISÓDIO Nº 1





EPISÓDIO Nº 2





EPISÓDIO Nº 3





EPISÓDIO Nº 4





EPISÓDIO Nº 5





EPISÓDIO Nº 6





EPISÓDIO Nº 7





EPISÓDIO Nº 8





EPISÓDIO Nº 9





EPISÓDIO Nº 10





EPISÓDIO Nº 11





EPISÓDIO Nº 12



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

DA ROBÓTICA Á CIÊNCIA COGNITIVA

Acabo de ver um programa na televisão, que só veio agravar as preocupações que de há muito tenho, sobre a futura evolução da humanidade na vertente do seu primeiro e principal direito, que é o direito ao trabalho.
Nele se confirmou á evidência, os perigos que se adivinham para os trabalhadores, na sua dependência dos postos de trabalho, em consequência do desenvolvimento que no campo científico tem tido a robótica, a nano tecnologia, a inteligência artificial e a ciência cognitiva.
Falava-se nesse programa, da capacidade de se poder transcender o actual ser humano, devido aos enormes progressos feitos na área da nano tecnologia, que aumenta ao infinito as capacidades do homem, através da ligação de chips ao seu sistema nervoso, exponenciando as suas capacidades em termos de armazenagem de dados, conhecimentos e outra lógicas.
Se também juntarmos a isto o conhecido desenvolvimento científico que a genética tem sofrido e que nesta altura já sabemos ser capaz de seleccionar indivíduos que possam ser imunes a determinadas doenças.
Está também nas suas possibilidades ser capaz de aumentar outras características distintivas, actualmente inimagináveis, mas que poderão de uma maneira já previsível, não só substituir artificialmente partes do corpo humano, como também desenvolver características biológicas específicas.
Na realidade isto constitui uma mistura explosiva para a evolução humanidade.
Ao tornar-se possível, determinadas pessoas ou grupos, seleccionarem os privilegiados que possam beneficiar dessas regalias, corre-se o risco de se estar a criar um grupo ou até mesmo uma classe dominante inatingível.
Será facilmente admissível, que num estágio desses, ao submeter todos os restantes, às normais leis da natureza, a consequente desigualdade de direitos e oportunidades, constituiria uma regressão para a humanidade, semelhante a que constituiu o negro período histórico da escravatura.
Há pouco tempo, na “Conferência sobre o poder económico, desigualdades sociais e liberdades democráticas”, levada a cabo pelo PCP no Hotel Plaza, interpelei os conferencistas, durante o período destinado às intervenções da assistência, sobre os problemas que levantava para o mercado do trabalho, as futuras relações de produção. (Vide relato neste Blogue no dia 15 de Fevereiro)
Na actual situação das relações de produção e dada a sua previsível evolução, os donos dos meios de produção têm toda a possibilidade de dispensarem “mão-de-obra” a seu belo prazer, e substituí-la por simples robots e outros automatismos mecânicos, baseados na inteligência artificial, na informática, ou em alguma das novas tecnologias.
Era minha intenção falar por exemplo, do facto de já existirem há anos robôs móveis autónomos, que aprendem e executam por imitação, que são capazes de deslocar um objecto para um qualquer lugar imitando quem (ou o quê) tinha sido feito anteriormente, através de um autêntico sistema nervoso composto por pequenos computadores.
Já se chegou em laboratório a obter uma reacção, que se pode considerar como reflexa, pela alteração do meio envolvente e há fortes possibilidades de em breve se conseguir robôs que consigam raciocinar, através de uma estrutura análoga á do cérebro, chegando-se mesmo a proporcionar a esses robôs uma consciência artificial.
Não estou a ignorar os estudos feitos e desenvolvidos pelo nosso cientista Professor António Damásio, pioneiro absoluto sobre os factores humanos da consciência, mas a limitá-los na sua extensão às questões espirituais ou de crença.
Tudo isto será terrível para os seres humanos que estejam dependentes dos vários poderes, para trabalhar e sobreviver, com um mínimo de felicidade.
Mais, é incrível, que matérias desta natureza, com tantas e dramáticas consequências para a humanidade e sobretudo para o mundo do trabalho, seja quase um “Segredo dos Deuses” e só em longínquos, raros ou especialíssimos meios, os leigos têm acesso a estas matérias, de vital importância para todos nós.
Tudo isto gostaria de ter referido, mas para não alongar a minha intervenção, limitei-a ao mínimo possível, na expectativa que na segunda parte da conferência, fossem tidas em consideração as minhas resumidas alegações.

Nenhum dos conferencistas abordou estes aspectos fundamentais das relações de trabalho e da propriedade dos meios de produção, o que para mim constituiu uma terrível frustração, pois considero, se os trabalhadores não estiverem atentos a estes factos, serão apanhados de surpresa numa situação laboral e de sobrevivência a que dificilmente poderão responder.
Eu pessoalmente estou convencido, que pelo caminho que as coisas estão a levar, só numa situação revolucionária, será possível mudar o curso dos acontecimentos.
O tempo o dirá!!!!

domingo, 7 de novembro de 2010



Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo.

O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.

O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.

O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.

O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros.

Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.

E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama.

Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010


O Tolo Sectarismo de Alguns Que Se Arrogam de Comunistas…E O Ensinamento Revolucionário de Jesus Cristo

Não é coisa que não nos lembremos – o sectarismo da Internacional Comunista, aos tempos, poucos, antes do inicio da II Grande Guerra Mundial que a levou a considerar a Democracia “burguesa e capitalista” pior, enquanto regime que o Fascismo de Hitler e Mussolini…

Hoje esse sectarismo renasce em alguns dos que se arrogam de comunistas, como é o caso deste Juvenal camarada Lucas, (comunista ou não é um homem de Esquerda, por muito errado que esteja e está) o que os leva a considerarem divertido o vídeo onde um ministro, suíço, conservador, (diria melhor, reaccionário), ataca o direito à Igualdade de Género, assume ridiculamente risos homofóbicos, etc.

Pois foi este vídeo, que foi remontado por um fascista, ou como já o disse por uma central de comunicação fascista, para atacar os “burgueses” Sócrates e Passos Coelho, que foi entendido, por este Juvenal camarada Lucas, razão para achar que “divirta-se com o vídeo, porque está muito bem “apanhado”…

É verdade que, em consequência do desastre que foi a visão estratégica do “camarada Estaline”, quanto ao que significavam Hitler e Mussolini, Dimitrov teve, por algum tempo, a oportunidade de defender a tese das Frentes Populares, que deu origem também à tese das Democracias Populares, e, felizmente para os Cidadãos e Cidadãs do Mundo, houve na URSS o recuo suficiente para a Aliança que derrotou o Fascismo no Mundo.

Francisco Rodrigues Martins, reconhece nesta tese das Frentes Populares e das Democracias Populares a visão direitista no PCUS que Estaline, de novo “esquerdista”, no imediato pós guerra emendou, eliminando mais uns tantos comunistas soviéticos e impondo a politica que conduziu às ocupações na Hungria, na Checoslováquia, na Polónia, etc e, claro à cisão Sino Soviética dos anos 50.

É evidente que nem estranhei esta atitude deste Juvenal camarada Lucas, que me insulta em cada linha que escreve, (num estranho e não justificado ódio contra mim…), pois felizmente também Gramsci, além de Dimitrov, leitura que aconselho veementemente.

Mesmo que seja hoje socialista não escondo o meu passado anterior, maoista, e a minha formação marxista, claro que não serôdia à “Marta Hanecker”, (enfim para o nome…), mas o que não entendo é a mania que este Juvenal camarada Lucas tem em dizer que eu escrevi alguma vez que fui dirigente socialista.

Nunca o fui nem nunca me afirmei enquanto tal.

Fui e afirmei-me dirigente da UEDS, fui e afirmei-me, dirigente da UNITA e tenho bastante orgulho em tal.

Como sou, com orgulho de Esquerda, fundador de uma cooperativa de Ensino e seu director pedagógico!

Porque estes cargos resultaram de combates de Esquerda feitos, nos âmbitos, político, social, cultural e económico.

No entanto o essencial a analisar agora, está na incapacidade de alguns camaradas, de Esquerda, em reconhecer o que, na Esquerda, é essencial reconhecer – o direito à diferença e o livre arbítrio!

Recordando a Bíblia, uma das raízes intelectuais da Esquerda, ao contrario do que muitos pensam,, tomada que ela foi pelas direitas vaticanistas, tenho na memória os lindíssimos versículos sobre “quem não pecou que atire a primeira pedra”, o maior exemplo de defesa da Tolerância que conheço, ou o baptismo do eunuco, (que como todos terá tido e praticado sexo e, sendo eunuco terá sido por via de uma sexualidade ou homossexual, ou, se com Mulher, de prazer sensorial clitórica), outro radical exemplo do direito à diferença na sexualidade, que a Bíblia nos transmite.

Seria pois bom que o Juvenal camarada Lucas entendesse que há já milhares de anos que um revolucionário, Jesus Cristo, para muitos Não Deus mas Filho de Deus, nos ensinou a não nos divertirmos com a maldade e com o homofobismo.

Não sendo homossexual, este exemplo que transmito neste texto serve somente para recordar que a arrogância baseada na nossa perfeição é sinal sim de forte cedência a pretensões totalitárias.

Vivemos hoje tempos de instabilidade forte, tal qual nos anos 20 do século XX e, ainda, apesar dos esforços do “burguês e capitalista” Obama, nada garante os caminhos do futuro e os nacionalismos serôdios, como se sabe, renascem com as crises, não sendo por acaso que em sondagem recente, 52% dos portugueses achem, hoje, em face da descoberta que, ao contrário do que procura explicar o Juvenal camarada Lucas, não somos, desde a ocupação espanhola, na sede do Império português, ricos, que a opção euro foi uma má opção.

O que, claro, não sucedia, enquanto fomos beneficiados, largamente, pelos Fundos Comunitários que, ridiculamente, gerimos com os pés.

Que o Juvenal camarada Lucas brinque com o Fascismo não me espanta, lá teremos, nós “burgueses e capitalistas”, de o salvar aquando do ascenso de um qualquer neo fascismo que ele se recusa a ver nas homofóbicas palavras do ministro suíço das finanças e na fascista montagem deste ridículo e fascista vídeo.


Joffre Justino

terça-feira, 28 de setembro de 2010

De Novo O Fascismo Atacando, Clandestinamente, Como Sempre Faz Na Sua Cobardia Habitual
(Em Volta de Uma Mentira/Video Forjado!)


Tá excelente !
Melhor radiografia
do país não parece
ser possível.
Ficamos conhecidos
internacionalmente pelas
piores razões ...
Para além de sermo
s motivo de chacota,
Sócrates e demais bicharada
ainda dizem que Portugal
deu um salto civilizacional ...
Ao que chegamos !
A "Padeira de Aljubarrota"
faz muita falta ...
(in um dos emails recebidos)


Liguei para uma pessoa amiga, tradutora de alemão e esta pessoa ligou para uma segunda pessoa, para confirmar tudo e eis o resultado - é falso que o ministro suíço se esteja a referir a Portugal, ao primeiro ministro de Portugal, José Socrates, e ao leader da Oposição portuguesa, Passos Coelho.

O ministro das Finanças suíço trata, na sua intervenção, de um assunto interno, nunca referindo Portugal, nem sequer insinuando qualquer referencia a Portugal.

Trata-se, no vídeo abaixo, que anda a ser distribuído por gentes tanto de Esquerda como de Direita, (recebi-o por 4 pessoas diferentes, de leques políticos diferentes), pois, de uma montagem, por via da colocação de um texto por cima de um discurso, dito em língua de conhecimento pouco usual e, ainda por cima, com um sotaque próprio – o suíço!

Não duvido que este email com este vídeo é distribuído pela mesma “central de comunicação” que, na internet, ataca também Manuel Alegre de “desertor”, (o que o próprio já provou que não é), de comunista, (que o passado de Manuel Alegre desmente), etc.

Infelizmente, alguma Esquerda, (até entre socialistas), como alguma Direita, democrática, num desvario anti Sócrates, embarca em todo o tipo de campanhas, porque no fundo reconhece que nesta crise, mundial, um pequeno país como Portugal pouco pode fazer, para a superar.

E, temendo o futuro, se agarra a tudo o que pareça permitir andar à tona, na crise…

Claro que o vídeo abaixo é também um caso de policia.



Na verdade, ofende o primeiro ministro de um país, o português e, a par, o leader do principal partido da oposição, ambos cidadãos eleitos democraticamente para os cargos que ocupam, bem ao contrário dos salazarentos António de Oliveira Salazar, Américo Tomás e Marcelo Caetano, os verdadeiros leaderes desta “central de comunicação”.


Curiosamente, sou eu, que me afirmo luso angolano, que, ao sentir-me estupefacto e mesmo ofendido, com tal grau de insulto, me dou ao trabalho de procurar perceber o que diz realmente o referido ministro das Finanças e acabo por perceber a mentirola que é este vídeo!


Reparem na citação acima, “melhor radiografia do país…”, “Socrates e demais bicharada”, etc. Ela mostra bem o nível nada democrático de quem põe no ar esta ridícula e insultuosa montagem.


Reduzida a pó a campanha tipo FreePort, que deu direito a meses de insultos na comunicação social, esta gentalha fascista, manipula o cidadão normal e põe-no a divulgar uma montagem fascizante, uma mentira pegada, com um único objectivo – o de pôr a prazo em causa a Democracia em Portugal.


Temos um país que se encontra dividido.


Entre,


· os que se sentem feridos nos seus “direitos adquiridos”, por isso, barafustam contra tudo e todos.


· os que estando, ao que se acham, há demasiado tempo na oposição, tudo fazem para regressar à esfera do Poder


· os que estando na oposição e sabendo-se minoritários, por incompetência uns e por opção outros, tudo fazem para pôr em causa o status existente


· os que se encontram em situação catastrófica por imposição das consequências da crise


E os,


· que procuram minorar a situação catastrófica em evidente estado de desvantagem, pois os fundos comunitários estão em fase terminal, mas o sentimento de “sermos ricos” se mantém


E, além de dividido, o país vive, entre estes divididos, um , para não dizer vários,. combate surdos.


Não tem Portugal a violência social que vimos acontecer na Grécia, mas tem Portugal quem gostaria que a mesma violência social acontecesse.


Não por quererem “uma revolução”, mas porque desejam ainda que, à anos 20 do século 20, surjam os “heróicos” e populistas leaderes, à Mussolini, que “ponham ordem” neste, para eles, “caos”.


Este combate surdo, não visível, não explicito na comunicação social, não gerando portanto heróis, novos leaderes, com novas oportunidades de novos estatutos sociais, é, na verdade, para alguns, como eu, o combate democrático dos dias de hoje.


Mas é, claro, um combate difícil de ser entendido.


Porque é fácil dizer mal, e negar a realidade, a simples e dura realidade – a de que andou Portugal a ser enganado quando se disse que seriamos, pela simples razão de estarmos na União Europeia, ricos e com direito ao Estado Social de todos os outros também da EU, sem que fosse necessário uma Estratégia e o eu cumprimento.


Mas não, nem somos ricos, nem, e tal é que é o pior, temos quem, no segmento empresarial, envergonhe os que do mesmo se sentem ainda com coragem para pensar que a economia se desenvolve reduzindo a despesa publica e adiando o compromisso de concertação social de colocar o Salário Mínimo Nacional nos 500 euros já neste 2011.


Enfim, por duas vias, reduzir o grau de consumo em Portugal.


Daí que a economia, sem empresários dinâmicos que entendam a necessidade de, por eles, sustentar – se uma dinâmica de crescimento, pelo aumento, ou sustentação, do consumo, para ter a retoma que todos desejaríamos, só possa crescer/sustentar-se com um reforço do papel do Estado, no investimento público, mínimo que seja, o que impõe a existência de mais receitas para o Estado, portanto de mais Impostos, que, para serem eficazes, exigem um pouco mais que taxar os ricos.


As medidas eficazes de redução das despesas implicam todas elas redução no Consumo, pelo que nem se entende como um empresário, que vive do que se consome, se reconheça em teses tão absurdas.


A não ser por razões estupidamente ideológicas.


O tempo das vacas gordas findou em Portugal e a promessa de melhores mundos por via dos fundos comunitários mostrou ser uma promessa vã.
Por má gestão, por má utilização dos mesmos, por se mostrar em timing insuficiente, ou por ser um errado caminho para o progresso, a verdade é que nos deparamos com uma promessa vã que, por isso, só poderia resultar mal.
Como está a resultar.
Alguns dizem, arregacemos as mangas e vamos a isso.
Outros preferem dizer, faz tu.
Os fascistas preferem assumir – está tudo podre regressemos ao passado…
Há que escolher.
E, para já, escolher é denunciar estas montagens propagandísticas!

Joffre Justino

NOTA:
Os destaque e reduções do texto, são uma tentativa de reproduzir fielmente o grafismo do texto.
Juvenal Lucas

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